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Opinião: Deixem os salários (e as famílias) em paz

01 de às 09h51
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Segundo dados do FMI, Portugal é a 13ª economia mais lenta do mundo. Do MUNDO!

Na verdade, a economia portuguesa tem crescido a um ritmo de 1,2% ao ano desde 1999 e espera-se que assim continue nos próximos anos. Este ritmo de crescimento não nos tem permitido mais que empobrecer: a crescente carga fiscal associada a picos inflacionários está a massacrar as famílias de uma forma esmagadora, e aos nossos jovens não resta mais que decidir entre duas alternativas: não passarem de “mileuristas” ou emigrarem. Convenhamos que a geração que tem ocupado o poder não tem muito de que se orgulhar…

Há quem culpe o Euro por este fraco desempenho da economia. Confesso que não partilho desse sentimento e pergunto mesmo: imaginem o impacto que teria hoje uma potencial desvalorização da nossa moeda sobre os salários e a riqueza das pessoas. Afinal, se uma economia não consegue sobreviver sem desvalorizações… está condenada a viver de salários baixos e de um pobre poder de compra. Afinal, não seremos capazes de competir sem ser graças a salários de miséria? Na verdade, o que se fez no ano de 2022 foi uma enorme desvalorização da economia, com uma descida significativa dos salários reais. O que é inimaginável é o efeito perverso desta desvalorização salarial que, na verdade, não tem nenhum impacto sobre a competitividade das empresas: os impostos e os custos de contexto continuam a minar a estrutura de custos das empresas e absorveram o potencial positivo desta desvalorização.

Na verdade, se Portugal quiser “desvalorizar” o seu Euro, pode fazê-lo: basta assumir que está disposto a uma política de contenção ou mesmo redução de salários, que é a outra face de uma desvalorização. Todavia, ninguém tem coragem de dizer isso aos portugueses, nem ninguém quer suportar o ónus de assumir uma tal política. Se formos honestos percebemos que os salários e o poder de compra dos portugueses são já tão miseráveis que, pensar em desvalorizações seria uma loucura sem limites.

Mas, há formas saudáveis de “desvalorizar” o “nosso Euro”. Se o Governo decidir reduzir impostos e contribuições sociais, se reduzir os custos de contexto como as mil e uma taxas, custos energéticos, portagens, burocracias, entre outros, e adotar políticas mais amigas das empresas e das atividades económicas, está a “reduzir” o valor do “nosso Euro”, está a reduzir os custos das empresas e a tornar a economia mais competitiva. O mercado da habitação é um desses exemplos em que, uma redução dos custos de contexto poderia dar um enorme impulso à construção e reabilitação, que têm um enorme poder de arrasto sobre a economia e o emprego. Mas, como bem explicitou a UTAO, estamos perante mais um orçamento e um plano de estabilidade onde não se vislumbra nem uma única medida estrutural e estruturante. Vamos continuar em modo de navegação, com a costa à vista…

É tempo de sermos mais exigentes com quem nos governa. É tempo de deixarem os salários e as famílias em paz, e reorientarem o foco das políticas para a competitividade, a criação de riqueza e o crescimento. Chega de sermos um país que só é capaz de produzir pobres.

 

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