Opinião: Digital compass: visão europeia para 2030
Uma das doze ações da Agenda da Competência da Comissão Europeia ( 2020) é aumentar, de forma alterada, os graduados em STEM (ciências, tecnologia, engenharia e matemática) e promover competências empreendedoras transversais. Este objetivo, além de outros, pretende alcançar 540 milhões de adultos em ações de formação até 2025, incluindo 60 milhões de adultos com baixas qualificações e 40 milhões de pessoas desempregadas.
Adicionalmente, pretende-se atingir um número de 230 milhões de pessoas adultas com competências digitais básicas. Face a objetivos desta magnitude, a comissão propõe a criação de uma bússola, expressa na COM ( 2021 ) 118 final, para traduzir as ambições digitais da UE para 2030 em objetivos visíveis e garantir que os objetivos pretendidos sejam concretizados.
A compass (bússola) será estruturada com um sistema de monitorização apropriado, para acompanhar o plano da UE em relação ao ritmo da transformação digital, acompanhar as divergências de trajetória e as lacunas existentes, e, concomitantemente, implementar os princípios digitais. Complementarmente, a bússola integrará os recursos financeiros para concretizar a antevisão, balizando, como pontos relevantes, as capacidades digitais em infraestruturas, educação e competência, bem como a transformação digital de negócios e serviços públicos.
Em consequência, de acordo com a agenda da competência para a educação digital, as capacidades e habilidades digitais são essenciais para reforçar a nossa resiliência coletiva como sociedade. As competências digitais básicas para todos os cidadãos e a oportunidade para adquirir novas competências digitais especializadas para a força do trabalho, são consideradas pré-requisitos para participar ativamente na década digital.
O know-how digital é considerado um pilar básico para construir uma sociedade que possa acreditar nos produtos digitais e serviços online, bem como identificar a desinformação, as tentativas de fraude e os ataques cibernéticos. Deve igualmente apoiar uma força de trabalho na qual as pessoas possam adquirir maestria digital singular para obter empregos de qualidade e carreiras gratificantes. Em 2019, segundo a COM ( 2021 ) 118 final, havia 7,8 milhões de especialistas em TIC com uma taxa de crescimento anual de 4,2%. Se esta tendência continuar a União Europeia ficará muito abaixo da necessidade projetada de 20 milhões de especialistas, por exemplo, em áreas-chave, como a cibersegurança ou análise de dados. Mais de 70% das empresas reportam a falta de pessoal com habilidades digitais apropriadas como uma constrição ao investimento.
A liderança digital da Europa, que a comissão pretende alcançar em 2030, deverá ser edificada sobre uma infraestrutura digital sustentável em conectividade, microeletrónica e capacidade para processar vastos dados, os quais atuam como catalisadores de outras inovações tecnológicas que apoiam a vantagem competitiva do setor. Para concretizar este desiderato, até 2030, todos os países europeus serão cobertos por uma rede Gigabit, com todas as áreas de densidade populacional coberta por 5G, e aptos para a produção de semicondutores de ponta e sustentáveis na Europa, incluindo processadores, representando pelo menos 20% da produção mundial.


