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Opinião: Do mal, o menos

19 de às 10h24
1 comentário(s)

Afinal somos maus ou somos bons? Nascemos bons e depois é que nos tornamos maus ou nascemos maus e depois podemos decidir ser bons?
Independentemente da opinião de cada um, a verdade é que o mal está no dicionário existencial da humanidade. É uma palavra que se conjuga com a vida. Quem nunca pensou mal, disse mal, fez mal, viu mal… e conheceu pessoas com maldade.
Não deixa de ser engraçado que todos nós temos tanta facilidade em dizer mal das instituições e dos outros e ficamos muito escandalizados quando sabemos que alguém disse mal da nossa instituição ou de nós próprios.
Gosto da ideia de ‘dividir o mal pelas aldeias’ e da coragem de ‘cortar o mal pela raiz’. Mas fico sempre a pensar na esperança ‘escondida’ do ‘quando mal, nunca pior’ e, sobretudo, do sentido do ‘mal, o menos’. Trata-se pensar que, ‘apesar de se estar numa situação problemática, o facto de haver algo positivo ou favorável, torna a situação mais suportável ou animadora’ (cf. dicionário online priberam).
Para mim, o mal, quanto menos melhor. Devo reconhecer que, apesar de todas as dificuldades e problemas, há muito bem em cada um de nós e na sociedade.
Há quem defenda que a maldade é a ausência da bondade, tal como a escuridão é a ausência de luz… O que me preocupa é que todos os meses temos de pagar a conta da luz (o que custa é a luz e não a escuridão)! De facto, custa ser bom.
No fundo acredito que as pessoas nascem boas e com muito potencial para a bondade, contudo, as primeiras experiências de vida, o contexto familiar, o contexto escolar, o contexto social… vão condicionar muito.
A maldade não tem estrato social, nem cultural, não é dos pobres, nem dos bairros sociais. A maldade não tem geografia, nem idade… a maldade habita o ser humano.
No limite, quando atacados ou em situações extremas, por ciúme ou inveja, por insegurança ou carência… todos podemos ser maus, agir mal, agredir, ofender, magoar, com mais ou menos consciência. As cadeias estão cheias de pessoas boas que um dia agiram mal.
Segundo a metáfora do livro dos Génesis, Deus criou-nos à sua imagem e semelhança para habitarmos no paraíso, mas pouco tempo depois surgiu o desejo de querer ser o centro, de abdicar da condição criatural, de querer ocupar o lugar de Deus… a isso chama-se pecado (que de original tem pouco).
A humanidade foi criada por amor, para o amor (paraíso), mas rapidamente cedemos aos nossos egoísmos, desejos de poder, sentimentos de posse… Por isso, o pecado é o contrário do amor.
No entanto, importa enfrentar os problemas, encarar sem medo as dificuldades. Não devemos confundir maldade com ‘não ser inocente’. Devemos ser “prudentes como as serpentes e simples como as pombas” (Mt 10,16b).
Jesus que deu a vida por amor, que nos ensinou o mandamento do amor e a importância de perdoar, foi o mesmo que “fazendo um chicote de cordas, expulsou-os a todos do templo com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas dos cambistas pelo chão e derrubou-lhes as mesas” (Jo 2,15 )… por amor!

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1 Comentário

  1. Vicente Homem diz:

    Parece claro que as pessoas nao nascem boas ou mas. Parece claro que tal resulta das circunstâncias em que se exerce e que o constituem (bem como as que o nao constituem). Pode-se ser doutrinado para o bem ou para o mal, e pode-se ser educado para que o indivíduo use a sua cabeça. Ora o reitor parece demitir-se de usar esta. Debita considerações infundadas. Como se o “Bem” e “Mal” fossem algo objetivo e substanciado da mesma forma para cada individuo. Nao é o caso. Por exemplo, sabemos que muitos dos abusadores sexuais de menores foram eles mesmos abusados….sabemos que 13 anos é menor num contexto e em outro pode casar…. portanto, eduquemos para que as pessoas pensem, ponham em causa, exijam fundamentos, evidências, e nao sejam exploradas na sua ignoramcia

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