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Opinião: E esta hein?!..

13 de às 14h10
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Já o Zeca Afonso cantava que “o emigra verga a mola; num país que não é seu; produz fortunas alheias; com as mãos que Deus lhe deu”. Portugal é historicamente um país de emigrantes e essa característica valoriza-nos e enriquece-nos.
Todavia a xenofobia é uma das marcas de água da extrema-direita por essa Europa fora e, em Portugal, o jovem Ventura não foge à regra. Tantas vezes tema que rende eleitoralmente deveria passar a ser analisado mais seriamente, porquanto o inverno demográfico que assola o nosso país – apenas 13% de jovens e 24% de idosos – comprova a necessidade premente de abrirmos as portas a estrangeiros. Claro está, não da forma criminosa como tem vindo a público nas explorações agrícolas do Baixo Alentejo!
Com certeza para espanto de muitos e arma contra o preconceito, vale a pena observar muito atentamente as conclusões de um estudo apresentado há dias pelo Eurostat, que demonstra serem os imigrantes no espaço da UE mais qualificados quando comparados relativamente ao mesmo trabalho com os nacionais. Os não nacionais empregados têm maior probabilidade de serem mais qualificados do que os nacionais para o seu trabalho. Na UE , em 2021, a “taxa de sobrequalificação” foi de 39,6% para cidadãos não comunitários; 32,0% para cidadãos de outros países da UE, e, em contrapartida, apenas 20,8% para cidadãos nacionais.
Quando olhamos em especial para Portugal o fosso nas competências é ainda mais gritante com a “taxa de sobrequalificação” de cidadãos não comunitários acima dos 40% contra a dos nacionais abaixo dos 15%.
Os resultados estatísticos demonstram, ainda, que as mulheres representam “taxas de sobrequalificação” mais elevadas do que os homens, independentemente do país de nacionalidade; e que em termos etários essas taxas são geralmente mais altas entre as pessoas com idade entre 35 e 64 anos quando comparadas com a faixa dos mais jovens (entre 20 e 34 anos).
Curiosamente – ou talvez não – evoca-se em 2023 o Ano Europeu das Competências, portanto uma excelente oportunidade para uma reflexão coletiva sobre como melhor aproveitar para o bem comum da UE as pessoas de origem imigrante, que está visto pelas estatísticas têm competências e qualificações profissionais superiores aos nacionais quando comparados no mercado de trabalho.

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