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Opinião: Em jeito de balanço – isto não vai correr bem, digo eu que sou optimista

29 de às 15h46
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Nem sequer chegou ao pódio de ano mais quente, de facto, 2022, foi «apenas» o 4º da última década. Boas notícias? Nem por isso, é o quarto desde 1800. Se fosse uma maratona de 222 atletas, teria chegado à frente de 118 atletas.
Janeiro foi o 6º janeiro mais quente a nível global.
Fevereiro foi o 7º fevereiro mais quente. O NOAA previa que 2022 se classificaria entre os dez anos mais quentes. Acertaram com uma boa margem.
Março foi bipolar, temperaturas acima da média no Norte e mais frias que a média no Sul. Foi o 5º março mais quente. O IPCC publicou relatório com alertas e a urgência de ação: «As evidências científicas são inequívocas: as alterações climáticas são uma ameaça ao bem-estar humano e à saúde do planeta. Qualquer atraso adicional a uma acção global concertada fará perder uma efémera janela para um futuro seguro e habitável». Ativismo ambiental, sem grande repercussão na comunicação social. Guterres alerta que o caminhamos sonâmbulos para a catástrofe: «Só contando com o ano passado [2021], as emissões globais de CO2 relacionadas com energia aumentaram 6% “atingindo os níveis máximos na História”».
Abril 2022 foi o 5º abril mais quente. A Organização Metereológica Mundial (WMO), publica relatório, «Quanto maior o aquecimento piores os impactos. Temos níveis tão altos de dióxido de carbono na atmosfera agora que o nível mais baixo de 1,5ºC do Acordo de Paris está quase fora de alcance». Guterres descreveu que o último relatório do IPCC mostrava uma «litania de promessas quebradas de ação climática» reveladora da «diferença abissal entre os compromissos e a realidade».
Maio foi 5º maio mais quente. No sudoeste da Europa as temperaturas foram muito acima da média, associadas a uma onda de calor que quebrou recordes. A WMO faz atualização para 2022-26 concluindo que há uma possibilidade de «50:50 de se atingir temporariamente o limite de 1,5ºC já nos próximos cinco anos».
Junho foi o 6º junho mais quente. Análise conclui que as ondas de calor da magnitude da de 2003 tinham nesse ano uma probabilidade de acontecer uma vez em cada 763 anos têm, em 2022 , uma probabilidade de acontecer uma vez em cada 66 anos…
Julho foi o 3º julho mais quente. Foi ainda invulgarmente mais seco e com menos precipitação que o normal e com ondas de calor prolongadas e intensas.
Agosto foi o 6º agosto mais quente. Foram 31 dias de seca e inundações.
Setembro foi o 5º setembro mais quente. O Fórum Económico Mundial publica «Como o aquecimento global alimentou eventos metereológicos extremos em 2022».
Outubro foi o 4º outubro mais quente. Guterres alerta que se está a andar na direção errada e com impactos desconhecidos, correndo-se o risco de passar o ponto de não retorno. O mundo sentiu um susto com um quadro de Van Gogh e só olhou para o dedo que apontava o problema.
Novembro foi o 9º novembro mais quente. A OMS faz declaração «As alterações climáticas já nos estão a matar mas acção decisiva poderá prevenir mais mortes». Guterres chama «Crónicas do Caos» a novo relatório da ONU sobre a metereologia. Manifestações de estudantes ocupam escolas e universidades são noticiadas como raramente foram outras. Reacções dos comentadores são contra o modo, o falar e o vestir… COP27 do clima chega ao fim com decisões pífias. Não há reacções dos comentadores.
Dezembro, ainda não há estatísticas. Mas há chuva, inundações e parece-me menos frio que o costume. O serviço de metereologia do Reino Unido prevê que 2023 seja um dos mais quentes de sempre.

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