Opinião: “Governo insensível às consequências da Inflação”
A negação do governo às sucessivas promessas!
Na Assembleia da República concluímos a discussão do orçamento de Estado. Ficou claro que existe uma grande distância entre o que o governo apregoa e promete e o que faz.
Em janeiro, véspera de eleições, António Costa prometia a subida de salários e de reformas. Anunciava melhoria do nível de vida para trabalhadores, pensionistas e até creches gratuitas.
Este orçamento é a negação de sucessivas promessas.
Em abril a inflação foi de 7,2% de acordo com o INE. As pessoas sabem que se os salários e as reformas não aumentarem de acordo com a inflação, isso significa perda de salário real.
Inflação significa uma subida generalizada dos preços dos produtos. Mesmo as pessoas que não têm grande conhecimento deste tipo de matérias, sabem que se os salários sobem menos do que os preços dos produtos, isso significa que com o mesmo salário podem comprar menos bens. Perdem poder de compra e o seu nível de vida piora. Todos sabemos que quando vamos ao supermercado, pagamos a conta da eletricidade , metemos combustível, tudo custa mais dinheiro.
Comparando abril de 2022 com o homólogo de há uma ano , o preço de vários produtos aumentou muito mais que a inflação. Os combustíveis aumentaram 33%. A eletricidade aumentou 18% e o gás 28%. A carne subiu 14% e o peixe 11%. Esta é a realidade com que somos confrontados.
O governo mostrou uma total insensibilidade quando contemplou no orçamento um aumento inferior a 1% nos salários dos funcionários públicos.
Mais grave ainda. Se uma empresa privada mostrar sensibilidade para este problema e aumentar o salário dos seus trabalhadores, quem beneficia do aumento é o Estado e não são os trabalhadores, porque o governo não atualizou os escalões do IRS. Conheço um caso concreto em que a empresa decidiu aumentar os trabalhadores em 40 euros, e no final o salário dos funcionários, em termos líquidos, quase não se alterou . O aumento é comido pelos impostos. O mesmo acontece com a Taxa Social Única , TSU, onde o governo aumenta a receita com as subidas salariais .
O governo prometeu aumentar o rendimento dos portugueses, mas narealidade os trabalhadores e os reformados estão a ter um grande corte nos seus vencimentos. Dado que a inflação prevista pelo governo é de 4%, o PSD defendeu que os salários dos funcionários públicos deveriam ser aumentados nessa percentagem, para que fosse minimamente cumprida a promessa do governo. Defendemos que os escalões do IRS, também tivessem esse mesmo ajustamento. Mesmo sendo espectável que a taxa de inflação seja bastante superior, o que agravará ainda mais o problema, optámos por ter como base
para os cálculos a taxa de inflação indicada pelo próprio governo.
Contrariando tudo o que apregoou na campanha eleitoral, o governo usou a sua maioria absoluta como poder absoluto ereprovou estas propostas.
Propostas que apenas visavam levar o governo a cumprir em matéria de vencimentos e de reformas, o que tinha prometido poucos meses antes.
A minha atividade durante a semana passada
– Analise das propostas de alteração ao Orçamento;
– Debates sobre o Orçamento; Votações; Reuniões com diversas entidades;
– Participação em conferencia sobre descentralização.


