Opinião: Há escolas de excelência?
Pelos melhores e pelos menos bons motivos a escola portuguesa está hoje na crista da onda e talvez nunca se tenha falado tanto dela. Até que ponto as reivindicações dos professores poderão ajudar a transformar o que necessita de o ser em benefício dos principais interessados que são, obviamente os alunos? Esta é a pergunta cuja resposta vale ouro e que estará na mente de todos nós.
Temos hoje uma escola inclusiva que terá de atender todas as necessidades de todos os alunos, ajudando-os a atingirem os melhores patamares de conhecimento e de educação, com novas estratégias que ajudem cada um a atingir sucesso nas matérias escolares, educativas e de cidadania. Por favor, reparem bem no que eu escrevi: a escola tem a função de fazer atingir sucesso nas matérias escolares, educativas e de cidadania
A escola de hoje deve ensinar os alunos a compartilharem os saberes, as questões de justiça social, as emoções, o respeito, a argumentar, a trocar experiências e perspetivas, a respeitar os pontos de vista dos outros sem abdicar dos seus.
A escola tem com a sociedade um compromisso primordial e insubstituível: introduzir o aluno no mundo social, cultural e científico e não só no domínio das matérias; e isto é direito incondicional de todo o ser humano, independente de padrões de normalidade estabelecidos pela sociedade ou pré-requisitos impostos pela escola.
Sabemos como as famílias olham para a escola de hoje como um espaço de aprendizagens, claro, mas também de “guarda” dos seus filhos e de atenção a tudo o que constitui os jovens seres humanos que ali passam.
Esta forma de ver a escola significa que estamos num mundo novo, diferente do que era há vinte ou trinta anos em que as alterações são constantes, em que a informação circula a velocidades impressionantes, em que quase não há certezas nas respostas aos problemas que a humanidade nos põe e em que o que agora se toma como verdade pode ser posto em causa pelas descobertas que estão a ocorrer agora mesmo, neste momento em que conversamos.
Para Edgar Morin, sociólogo, filósofo, antropólogo francês, “trata-se de uma necessidade histórica-chave: uma vez que a complexidade dos problemas de nosso tempo nos desarma, torna-se necessário que nos rearmemos intelectualmente, instruindo-nos para pensar a complexidade, para enfrentar os desafios da agonia/nascimento desse interstício entre os dois milênios e para pensar os problemas da humanidade na era planetária”.
A sociedade está hoje muitíssimo atenta aos resultados dos indicadores de qualidade das instituições educacionais. Excelência e avaliação são dois conceitos que dependem um do outro. O argumento principal é que a avaliação constitui uma condição necessária para a melhoria da qualidade das escolas.
Estabelecer uma definição de escola de excelência apresenta-se como uma tarefa extremamente complicada e para a qual não há uma concordância quanto ao que constitui a sua qualidade. Há autores que entendem que “a escola de qualidade é aquela que tem como valor fundamental a garantia dos direitos de aprendizagem de seus alunos, que dispõe de infraestrutura necessária, que ensina o que é relevante e pertinente através de processos aceites pela comunidade escolar e pela sociedade servida. Por isso mesmo as avaliações externas são instrumentos importantes para se apurarem as áreas problemáticas e encontrar soluções inovadoras.
Uma escola de excelência apostará na inclusão e com a matéria humana que tem, fará com que os seus alunos atinjam patamares muito bons; trabalhará as aprendizagens escolares, mas também a integração social e cultural, ajudará os seus alunos a irem tão longe quanto possível como cidadãos conscientes e responsáveis, solidários e socialmente integrados numa sociedade que se quer democrática.
Essa será uma escola de excelência. Nem todos os alunos podem ser os ronaldos das notas. Mas as escolas podem ser as equipas onde todos treinem para melhorarem as suas “performances”.


