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Opinião: (In)decisão

03 de às 11h44
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No artigo anterior abordei a preocupação face à transformação que se avizinha. Winter is coming… e os sinais de uma possível recessão fazem com que algumas empresas estejam já a preparar-se, enfrentando os efeitos da desaceleração na procura e o rápido aumento dos custos.
Na vida somos confrontados, permanentemente, com a necessidade de tomar decisões. Desde a vida privada às decisões nas organizações: contratar mais pessoas, investir ou apostar num novo produto e arriscar num mercado. Da esfera pessoal à empresa. Do Estado às diferentes organizações. Decidir é algo inerente à vida pessoal, empresarial e organizacional.
A tomada de decisões é uma das atribuições mais importantes de qualquer gestor. São imensas as que toma diariamente e algumas são estratégicas e definidoras do rumo da empresa. Por isso é fácil compreender que, para as empresas do “futuro”, avaliar e decidir com rapidez sobre a informação, será um requisito fundamental para o sucesso. E falar de tecnologia no contexto empresarial é quase redundante, pois se o mundo vive a uma velocidade vertiginosa, então, demorar mais do que o necessário no processo de adoção de novas tecnologias é sinónimo de ser ultrapassado (quem se recorda da Nokia ou da Blockbuster?).
O imobilismo e o receio de decidir, por vezes disfarçado de prudência com multiplicação de estudos ou grupos de trabalho, é um dos maiores perigos nas organizações. O exemplo da (in)decisão sobre a localização do novo aeroporto é bem representativo… Mesmo descontando parte dos 7 mil milhões de euros que recentemente a Confederação do Turismo estimou, o custo e perda de competitividade no contexto mundial vão ficar na história e ter consequências por muitas décadas.
Para evitar cenários como este, o processo de decisão nas empresas passa por três eixos:
1. Informação é poder. Para evitar a impulsividade e precipitação, as decisões devem ser ancoradas num entendimento profundo de dados sobre o negócio, com foco em duas dimensões: a interna, ao estabelecer KPI’s e monitoriza-los para identificar ineficiências, problemas e constrangimentos. Na dimensão externa, o gestor tem de procurar recolher dados relevantes que lhe permitam ser proactivo, em vez de reativo, às mudanças e oportunidades que os mercados proporcionam.
2. O poder das equipas. Um dos segredos passa por saber consultar e delegar. As decisões em grupo podem ser dos maiores entraves nas organizações, e todos já passamos por reuniões intermináveis… O papel do gestor é chave, pois se souber ouvir e organizar formas de consultar, pode tirar partido do recurso mais importante das empresas: o conhecimento e criatividade das pessoas. Delegar é também das atribuições mais importantes da gestão, porque torna os colaboradores mais responsáveis e solidários pelas decisões, e exige manter uma comunicação constante.
3. Definir cenários. A incerteza atual torna o planeamento mais difícil e, como resposta, cada gestor deve procurar traçar vários cenários em função das diferentes variáveis. Poderá assim priorizar e antecipar quais os impactos de cada alternativa. A reação à pandemia foi um exemplo da capacidade de antecipação de algumas empresas, ao criarem novas fontes de receita e formas de trabalho, por decisões face às mudanças ocorridas. Ao planear 2023, estabeleça cenários que incluam a recessão e como esta pode ser uma oportunidade para ajustar sua empresa e posicioná-la para o sucesso a longo prazo.
Decidir na incerteza é um ato de coragem. Olho e admiro os empreendedores com quem trabalho diariamente, pois mesmo com a possibilidade de errar, assumem um papel vital na nossa sociedade: a ousadia da mudança.
Liderar é decidir. E decidir é avançar.

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