Opinião: Índice de digitalização corporativa EIBIS – 2020: Afinal estamos melhor que a Roménia
O Banco Europeu de investimentos reúne um conjunto de dados, ao nível das empresas europeias, e constrói o chamado índice de digitalização corporativa do EI (EIBIS)1.
Este indicador é composto por 6 componentes: intensidade digital, infraestrutura digital, investimento em software e dados, investimento em melhorias organizacionais e de processos empresariais, utilização de um sistema de monitorização estratégico e visão digital. Estas 6 componentes são agregadas ao nível do país e recebem os seguintes pesos: 0,4 para a intensidade digital, 0,2 para infraestruturas digitais e 0,1 para os outros 4 componentes.
O EIBIS possibilita a junção dos países, em termos de digitalização das empresas, nos seguintes clusters: pioneiras, fortes, moderadas e modestas. Tendo em atenção o índice, a Dinamarca e a Holanda são os países mais importantes sob o ponto de vista digital, seguidos pela Finlândia e Suécia.

Portugal e ocupa uma posição forte. Países como a França, Itália, Alemanha apresentam uma situação moderada, enquanto países como a Inglaterra, Bulgária e Roménia exibem posições extremamente modesta.
Na figura seguinte, elencam-se os países da União Europeia, comparativamente aos Estados Unidos:
Índice de digitalização corporativa EIBIS, por país
Constata-se que os países europeus com a melhor performance, nas áreas selecionadas de digitalização, são os seguintes: em infraestruturas digitais e interesse digital, bem como em software e dados, a Dinamarca é o país que se apresenta mais avançado. A França, muito embora esteja situada abaixo da média europeia, no que tange a melhorias organizacionais e processos de negócios, ocupa uma posição elevada. Observa-se, igualmente, a existência de 8 países europeus que superam os Estados Unidos no índice de digitalização. A Finlândia, na componente uso de um sistema formal de monitorização do negócio, aparca num lugar relevante, bem como a Holanda para a infraestrutura digital e a Alemanha para a perspetiva digital. Em termos de posição mais modesta, incluem-se países, como: Croácia, Inglaterra, Letónia, Roménia, Polónia, Bulgária e a Irlanda.
Observa-se, relativamente a Portugal que se insere numa posição forte no ranking, posicionando-se acima da média europeia e, inclusivamente, acima dos Estados Unidos. Todavia, a componente de menor peso, no conjunto dos 6 componentes supracitados, refere-se ao investimento em software e dados. Em termos de intensidade digital e infraestrutura digital está numa posição confortável. Considerando o banco europeu uma entidade isenta, observa-se que, neste campo, estamos à frente da Roménia e, imaginem, à frente dos Estados Unidos. Todavia, como o investimento é efetuado em autoestradas digitais e menos em software e dados, o nosso futuro digital não será, julgamos nós, brilhante se continuarmos no mesmo roteiro. Ter autoestradas sem carros para as percorrer é um fenómeno que todos os portugueses conhecem bem, infelizmente.
1 Este indicador não cobre o capital humano
e os serviços públicos digitais. O EIBIS, sendo dedicado
a empresas, não abrange a utilização dos serviços de Internet pelos cidadãos e as transações online.



