Opinião: Isto só neste país
Só neste país é que vemos o primeiro ministro acusado de corrupção, derrapagens em obras públicas que elevam os orçamentos para o dobro, ou o país parar por causa do futebol.
Refiro-me à Austrália, obviamente. Vejamos:
1. Gladys Berejiklian, a “Premier” de Nova Gales do Sul (equivalente ao primeiro-ministro para este estado), foi acusada de corrupção e acabou por se demitir na fase final da COVID-19. Foi determinado que tinha tido uma conduta de “corrupção gravosa por ter quebrado a confiança pública”, para favorecer o então namorado no cargo político que ele ocupava. As consequências não foram mais graves porque no enquadramento legal aplicável não existiu crime. A ICAC (Comissão Independente Contra a Corrupção, em Português) demorou mais do dobro do tempo previsto para entregar o relatório, cerca de 1 ano e 2 meses depois das audições – deixo potenciais comparações para o leitor.
2. A nova linha de Metro para ligar o Oeste (incluindo o estádio Olímpico de Sydney 2000 ) ao centro da cidade, passou de um orçamento de cerca de €8.5 para €16.3 mil milhões, i.e. 1,9 vezes o orçamento inicial. A data de abertura passou de meados da década de 20 para 2030 na melhor das hipóteses. Esta é uma das infraestruturas mais críticas duma cidade extensa, com um sistema de transportes complexo, e com sobrecarga populacional. Decorre agora uma revisão profunda para reduzir custos, sem parar as obras – poderá soar familiar.
3. No estado de Victoria, com 6,7 milhões de habitantes, o futebol faz literalmente parar o estado. Neste caso, o futebol Australiano. A final joga-se no fim de semana e na sexta-feira anterior é feriado. E ainda há mais um feriado desportivo: a Melbourne Cup. Uma corrida de cavalos que às 15h faz parar o estado e o resto do país durante 3 minutos – o resto do dia é uma desculpa para apostar em corridas menores, vestir a preceito, longos almoços, e muito álcool. Estes eventos estão no calendário, ocorrem ordeiramente, e são seguros para levar a família.
Apesar de por vezes termos a ideia que certas coisas só acontecem em Portugal e que estamos na cauda da Europa, a verdade é que situações semelhantes acontecem em países ditos ‘mais evoluídos’ sem nos apercebermos.
Pode ler o artigo de opinião na edição impressa e digital do DIÁRIO AS BEIRAS


