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Opinião: Jacaré que não anda vira bolsa

17 de às 10h01
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Estamos já a menos de um ano das próximas eleições europeias e, em Bruxelas, já cheira a contenda. As diferentes instituições, naturalmente com o Parlamento Europeu à cabeça, definem agendas, ritmos e ritos muito em função do processo eleitoral que se avizinha. E voltamos ao mesmo: como captar a atenção dos cidadãos (em especial dos mais jovens) para a importância da construção europeia e fazer face a níveis crescentes de abstenção eleitoral e indiferença política?
É um processo complexo e injusto. Na verdade, nunca como nestes últimos anos se revelou aos olhos dos cidadãos a importância do projeto europeu. Perante a crise sanitária imposta pela COVID, apenas a capacidade de comando e reação de uma UE una e forte conseguiria as respostas adequadas, i.e. vacinação rápida e em escala, numa primeira fase, e um Plano de Recuperação e Resiliência para o pós-crise. Como se não bastasse, um conflito bélico às portas da União tem posto à prova as capacidades e limites políticos, militares e económicos da dita.
Será possível imaginar-se como teria sido tudo isto se isolados do projeto europeu?.. Um desastre!
Apesar do inusitado contexto pandémico e bélico recente, há uma agenda de desafios e problemas contínuos por resolver: a criação de emprego, as alterações climáticas, os movimentos migratórios, a soberania tecnológica, entre outros. O relógio do tempo não pára e a UE precisa ser mais ágil na busca de soluções.
Acresce, que, em regra, dois terços das leis aprovadas nos parlamentos nacionais resultam da implementação de regulamentos europeus e da transposição de diretivas europeias. Ou seja, a criatividade legislativa relevante está “em Bruxelas” e isso impacta realmente as nossas vidas individuais e coletivas. Não esquecendo os milhões e milhões de euros que por via de fundos e programas comunitários têm ajudado a desenhar o desenvolvimento económico e social dos Estados-Membros.
Mas, desta vez, há um receio crescente sobre o possível crescimento da extrema-direita em termos europeus. As crises recentes representam um contexto fértil para o populismo, a demagogia e o extremismo. É muito fácil desconstruir e acenar com fantasmas. Politicamente este será o maior desafio em jogo e temo que a esquerda e a direita democráticas – demasiado ocupadas com os respetivos umbigos – façam muito pouco para o evitar! Depois, pode ser tarde!..

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