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Opinião: Jesus ressuscitou mesmo?

24 de às 09h16
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O tempo é de Páscoa. Na liturgia cristã são 50 dias de Páscoa (entre o domingo de Páscoa e o dia de Pentecostes).
Depois de 40 dias de Quaresma seguem-se 50 dias de Páscoa, depois da Sexta Feira Santa segue-se a Manhã de Domingo de Páscoa. Depois da morte segue-se a vida. E se a vida fosse toda assim?! Se a vida assumisse sempre este dinamismo pascal?!
Não é pouco quando descobrimos que a última página do livro não é a doença, a dor ou a morte. A fé não elimina a doença, a dor ou a morte… A fé ilumina cada uma destas realidades. Ilumina e reconfigura-as no horizonte da esperança.
O tempo pascal é o tempo de entrar no mistério da ressurreição de Jesus. Entrar não é abarcar nem compreender… é entrar!
Mas será que Jesus ressuscitou mesmo? E o que é a ressurreição? Haverá alguma prova científica? Mesmo que tivesse ressuscitado o que é que isso altera na vida das pessoas? … Na minha vida?
Maria Madalena confundiu-o com o jardineiro (João 20,
15 ), Tomé não acreditou (João 20,25 ), os discípulos de Emaús não o reconheceram (Lc 24,
18 )… Se a ressurreição fosse evidente, seria imediata a relação.
As dúvidas às vezes são mais importantes do que as certezas. Há dúvidas que nos fazem caminhar mais, questionar mais, pensar mais… Há perguntas que valem mais do que as próprias respostas. A fé verdadeira vive com dúvidas.
De facto, a ressurreição não é da ordem da evidência, mas do reconhecimento. Não basta ter os olhos abertos para ver. Até porque muitas coisas importantes da vida são da ordem do sentir. Também o amor não se vê diretamente. Também não vemos o vento… vemos apenas os seus efeitos.
A ressurreição não é apenas uma reanimação ou um recomeçar…. a ressurreição é um viver diferente, é um viver plenamente, é um viver para sempre.
Penso muito na larva que consegue romper o casulo e se transforma em borboleta. Que poder e que inspiração! A larva está ‘destinada’ a ser borboleta, mas para isso precisa de atravessar o casulo. Como o grão de trigo lançado à terra, se não morrer, não dá fruto.
A ressurreição é da ordem do ‘arder o coração’, do viver intensamente, do amar profundamente e do dar-se totalmente.
Jesus ressuscitado foi reconhecido não pelo rosto, mas pelas feridas que trazia nas mãos e no lado e que eram sinal de entrega por amor. De que falam as nossas mãos?
Precisamos de feridas ressuscitadas, de rostos ressuscitados e de mãos ressuscitadas!

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