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Opinião: Juvenes habet jus!

21 de às 11h34
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Há uma mão cheia de anos atrás ( 7 décadas para ser quase exacto), um grupo de estudantes de Coimbra fincou o pé e acordou o Magnífico Reitor de madrugada para que este se viesse entender memoravelmente à porta do Palácio dos Grilos. Na altura, este Memorando de Entendimento ficou conhecido como a Tomada da Bastilha II e culminou com a adjudicação, por via directa do Conselho de Ministros das novas (e actuais) instalações da Associação Académica de Coimbra e Teatro Académico Gil Vicente. Muitos, certamente, já viram as fotos do estado incólume das instalações naquela altura, do jardim esplendoroso, do edificado imaculado, das salas de estudo com mobiliário de vanguarda e aquele grandioso ginásio! Esse Ginásio, transformado em Cantina (dos Grelhados), posteriormente em Aquário (Sala multiusos) e mais recentemente em Muro de Berlim (Chapa que separa os filhos dos enteados) é precisamente o foco de mais uma contenda entre a Porta Férrea e o Nº1 da Pe. António Vieira.
Ao longo das décadas, as raízes da árvore Académica têm continuado o seu crescimento, em contraste com o espaço que lhes é alocado. Uma colateralidade desta vivência foram as Cantinas dos Grelhados que viraram sala polivalente para usos vários da Academia (alcunhada de Aquário pelos Veteranos dado o estado embaciado com que a vidraça ficava aquando das várias actividades que lá dentro ocorriam) desde Assembleias Magnas, tertúlias, espaço de ensaios, arrumações e convívios académicos. No decorrer deste ano lectivo, a Academia foi informada de um plano de reestruturação das condições do Teatro Académico Gil Vicente, que por si só é um espaço de uma outra contenda polémica -não irrelacionada com esta!-. Por coincidência, eu próprio estava presente numa dessas reuniões em que o plano foi desvendado e, assumindo que o meu colega da Direção-Geral estava em conhecimento do assunto, não me expressei. Para surpresa de ambos, constatamos no fim dessa reunião que éramos virgens no assunto, apesar deste nos ter sido apresentado com toda a certeza, vinculação e sine qua Academia.
Para agravamento desta violação diplomática, umas semanas mais tarde é implantado, em tempo recorde, uma chapa, qual Cortina de Ferro, a fazer do nosso Aquário uma Bastilha horizontal com o território dos Lentes de um ladro e o cantinho dos Estudantes do outro. Mais recentemente, no âmbito da celebração dos 10 anos da Universidade como Património Mundial da Unesco e certamente aproveitando que a distração dos Estudantes com os Exames, o lado dos Lentes aparece instantaneamente revitalizado, de vidros novos e com mobiliário e pintura nova num caricato contraste com o lado dos Estudantes qual fronteira Estados Unidos – México. Se a espinha (chapa) ainda estava por engolir, esta dicotomia de condições exacerbou os ânimos. Aquando do debate sobre os Jardins e Espaços da AAC, os Estudantes munidos de Capa e Batina abotoada até ao cimo em contestação, rapidamente improvisaram um andaime usando cadeiras, estrados e um andaime para que o Presidente da Direção-Geral e o representante do Conselho Cultural participassem na discussão do lado Académico da chapa. Esta caricata situação serviu para demonstrar o ridículo de todo este processo, alcançando o que várias reuniões e conversações não foram capazes. Juntamente com este posicionamento, a Fé Académica exigia que os Estudantes não desarredassem pé do local até que outro Memorando de Entendimento tivesse sido alcançado. Após algumas horas, a chave dos espaços estava de novo na mão dos Estudantes. Mais uma vez na história, Juvenes habet jus – ‘Os Rapazes têm razão’!

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