Opinião: Liderança algorítmica: conectar vs controlar
Nas empresas do futuro os drivers do sucesso ou falência dos negócios não serão os fatores produtivos tradicionais, mas a gestão e desempenho dos algoritmos. Neste sentido, é preciso investigar como é que as empresas e organizações os vão usar e como deles dependem. É indispensável, então, um enfoque diferente, dado que as empresas não serão só integradas por empregados, mas também por plataformas algorítmicas que tomam decisões, monitorizam processos e gerem recursos. Em consequência, os algoritmos e os dados conexionam-se com os seres humanos, originando organizações diametralmente opostas às que integram a era analógica, em virtude de se integrarem numa sociedade completamente interconectada, idêntica a um ecossistema. Para definir a liderança na era digital algorítmica utiliza-se a metáfora rizoma, um tipo de caule que cresce horizontalmente, e que é completamente diferente de árvore, que possui um único ponto de entrada, enquanto o rizoma tem múltiplas entradas. Ou seja, o líder digital algorítmico é parte integrante de um sistema de raízes que não têm centro ou olho, e que depende de cada um para se alimentar e expandir as suas conexões. Nesta envolvente plana, o líder tem de saber dirigir a empresa sem níveis hierárquicos e praticamente sem estrutura. O líder deve ser mais um conector do que um controlador.
O líder digital algorítmico decide numa envolvente em que os dados, o trabalho em equipa, a tomada de decisão, são atributos fundamentais da organização em que se insere, e na qual o líder partilha a informação, os compromissos, e abraça um futuro incerto e não determinístico.
Em consequência, o trabalho humano será parcialmente irradiado, pelo facto de ser executado por softwares cada vez mais aperfeiçoados. Na área da contabilidade, auditoria, finanças, produção, marketing, etc., todas as tarefas repetitivas e fastidiosos serão automatizadas e executadas por algoritmos.
Destarte, a utilização de algoritmos, não irá representar necessariamente o fim do trabalho humano, mas aumenta a responsabilidade dos profissionais que os treinam, quando eles não forem preparados com dados de qualidade coletados de várias fontes, tendo por base critérios específicos, mas sempre subjetivos, o que pode potenciar preconceitos e vieses na execução das tarefas concretizadas por algoritmos, o que é uma questão ética. O sucesso dos negócios estará dependente dos recursos humanos, dos clientes, fornecedores, mas também dos algoritmos e dos dados e de toda a informação gerada pela atividade empresarial, mais do que a informação segregada pelos diferentes níveis de gestão: top management, executive middle level of management ou lower level of management.
A modelagem da empresa, independentemente do seu tamanho, será efetuada por algoritmos, ferramentas que, desde sempre, precederam o crescimento computacional.
Os algoritmos estão a rodear-nos continua e diariamente (quando retiramos dinheiro do ATM, quando procuramos informações, quando compramos qualquer produto online, quando bloqueamos o telemóvel, quando conduzimos na autoestrada, no reconhecimento facial) e são exemplos elucidativos de como estas ferramentas respondem e até antecipam as nossas necessidades. São instrumentos que têm capacidade para se adaptar, aprender, alcançar proficiência em domínios estreitos e, quando integrados em plataformas, ganham uma rápida maestria em termos de reconhecimento, otimização e personalização. Geri-los, é uma atividade destinada a avaliar a capacidade de cada um para cumprir a funcionalidade que lhes é exigida, e isto será, sem dúvida alguma, uma função da gestão de topo.


