Opinião: Líderes analógicos
Na atualidade, os acontecimentos empresariais podem ser relativamente mensurados a um ritmo previsível, desde que ancorados no planeamento estratégico e em orçamentos detalhados, ambos apoiados numa monitorização frequente dos recursos humanos efetuada pelas hierarquias. O mundo analógico é um mundo em que os drivers fundamentais de negócio são: gestão das margens; redução dos custos; comportamento competitivo; conquista de mercados, etc.. É um universo de características essencialmente darwinianas, orientado pela mentalidade de obter rentabilidade através da técnica do downsizing (sucessiva diminuição dos gastos). O líder analógico é definido pela sua posição na hierarquia da empresa, pela sua experiência e intuição para o negócio, pelo conhecimento adquirido por práticas, estudos, observações, e finalmente pelo controlo rigoroso dos trabalhadores. Destarte, é menos orientado pelos dados e pela informação. Em presença de uma situação de incerteza o líder analógico pensa que a mesma pode ser gerida pela análise estratégica, investimento e computo. Adicionalmente, imagina cenários e aplica a análise de sensibilidade.
O líder analógico trabalha com modelos determinísticos, nos quais os resultados de um acontecimento têm por base um conjunto apropriado de inputs, ou seja, aplica a modelização casuística caracterizada pela relação input/output. O cérebro humano de um líder analógico é essencialmente unívoco. Quanto às estratégias desenhadas para a empresa, efetua julgamentos rápidos acerca das situações e das respostas ao problema. O líder analógico, porém, tem dificuldades em alargar o processo de tomada de decisão a grupos, e, de uma maneira geral, é orientado pela obtenção de consensos, em detrimento de linhas orientadoras de ação mais disruptivas.
Adicionalmente, o líder analógico é pouco sensível a uma cultura da empresa onde a crítica e o desacordo sejam encorajados. O raciocínio analógico reflete uma maneira de processar informações baseada no encadeamento lógico, que compara as semelhanças para obter a compreensão de um novo conceito. Um líder digital tem um enfoque diferente para avaliar os problemas e na tomada de decisão, porque assume as decisões estratégicas de uma forma mais estruturada do que o líder analógico, ao sustentar-se em dados e no poder computacional, técnicas caracterizadamente desagregativas. Um líder analógico ainda dúvida do poder computacional, da sua relevância, fiabilidade e exatidão, além de desconfiar dos sistemas automatizados e da experiência de transferir trabalho para as máquinas e de dar capacidade de decisão aos algoritmos. O líder analógico ainda não percepciona que as plataformas digitais não são feitas para fazer aplicações de softwares, mas para fazer negócios e transações.


