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Opinião: Líderes digitais

31 de às 12h52
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No futuro, todas as empresas serão empresas algorítmicas, e toda a informação acerca do mundo e particularmente da vida empresarial, está baseada em dados.
Um líder digital (LD), é aquele que adaptou o seu processo de decisão, estilo de gestão e obtenção de resultados, às complexidades da era das máquinas. Para se ter sucesso na nova era é indispensável uma abordagem diferente, e ter habilidades e capacidade diferenciadas e distintas maneiras de pensar. Acontece que, na era do algoritmo, a figura do líder pode ser considerada como um conceito ultrapassado. No futuro, as empresas são compostas não só por trabalhadores, mas também por plataformas de algoritmos que tomam decisões, monitorizam os processos e geram os recursos. Sendo assim, então qual é exatamente a função do líder? Como é que um líder se pode afirmar se não toma decisões importantes? Pode ser-se líder sem título (CEO) e sem um conjunto de empregados a seguir o líder? O valor do líder é aferido pelo perímetro das conexões ou relações pessoais. Numa grande organização digital, o líder tem de ter consciência que o saber está em todo o lado, e que a ratione, é de uso irrestrito. Em consequência, a transformação do negócio e a criação de valor pode partir de qualquer pessoa que trabalha na organização, seja empregado ou freelancer. O líder, na era digital, tem de saber dirigir a empresa sem níveis hierárquicos ou estruturas. É parte integrante de um sistema que não tem centro ou olho, que depende de cada indivíduo para o alimentar de nutrientes e expandir as suas conexões. O LD não vai tomar todas as decisões, por isso, deve fomentar a auto-organização, a autogestão, e não se preocupar por não ter sempre razão. Precisa ainda de estar aberto às formas de partilha e compromissos no trabalho, bem como abraçar o futuro incerto.
O LD deve ser flexível, adaptativo e estar sempre orientado para a oportunidade de mudança, mesmo que seja radical. Os responsáveis empresariais devem ajustar rapidamente os seus objetivos estratégicos, projetos e responsabilidades, bem como os títulos dos empregos, o que não é possível lograr com estruturas rígidas e processos do mesmo teor. Nas organizações digitais os dados são um ativo estratégico importante, e o seu valor está em crescimento constante. Os dados são o coração do negócio, no entanto, encontrar dados corretos e adequados, através de algoritmos de machine learning, não é uma tarefa fácil.
Os líderes algorítmicos têm um enfoque diferente na avaliação de problemas e na tomada da decisão. Tomam decisões estratégicas de uma forma mais estruturada apoiando-se em dados e no poder computacional. Este, à boa maneira cartesiana, envolve a desagregação do todo em partes, o que é um princípio de sabedoria. A existência da dúvida é fundamental em matéria de aquisição de conhecimento, e contribuirá para a descoberta da verdade apoiada no princípio da causa determinante.
Os líderes digitais adotam uma orientação mais probabilística do que determinística. De facto, quando os acontecimentos futuros são originados por um conjunto amplo de variáveis, o pensamento probabilístico permite focar mais adequadamente os potenciais resultados, e tomar, em consequência, das melhores decisões. A tomada de decisão, na era algorítmica, é um alvo em movimento. Daí ser importante ter a noção da probabilidade e de monitorização dos pressupostos. Tomar decisões na era digital é proceder à sua validação com novas informações. É esta a metodologia adequada ao ambiente de incerteza em que a sociedade vive.

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