Opinião – Mais do que discutir…conversar!
Antes mesmo do Governo “aparecer” com uma proposta para a habitação em Portugal, já alguns cidadãos se debruçavam sobre essa matéria.
Cidadãos com as mais variadas qualidades científicas e técnicas, no sentido de ajudar a encontrar uma solução global.
Significa que a proposta do governo é toda ela má, que não encerra nenhum tipo de “porta aberta” que permita encontrar pontos de convergência. Claro que não é tão má como a pintam, ainda que existam algumas que pela sua relevância para o comum dos cidadãos não poderão ser abandonadas.
Muita tinta irá correr, muita água passará por sob muitas pontes, muitos afirmarão alguma coisa e o seu contrário!
Será isto o que o governo quer? Ou que parece querer? Parece-me que não, embora questões ideológicas como alguns afirmam, não sejam toleradas num país mais ao centro do que à direita ou à esquerda.
De Coimbra para o País seria – e mantém-se – a intenção, apesar da pouca importância dos “poderes” darem importância aos cidadãos que não vivem nas duas áreas geográficas que têm uma população maioritária.
Acredito que não seja por questões eleitorais porque as eleições autárquicas ainda vêm longe, ainda por cima pelo facto de, a Associação Nacional de Municípios Portugueses não ter siso ouvida. Deveria ter sido?
Percebe-se porquê. Esperando uma resposta dos municípios portugueses, ela nunca chegaria porque a grande maioria dos municípios não se situam nas áreas geográficas já identificadas, além de que a grande maioria nem preocupada está com a questão da habitação. Por muitas e variadas razões, a explicar mais tarde. Lá iremos num futuro próximo!
Ora, toda a discussão se centra em Lisboa e no Porto – mais em Lisboa do que no Porto – onde existiu um enorme investimento privado em “casas de turismo” tendentes a rendimento, o que é justo para com quem investiu, mas injusto tanto para as pessoas que viviam nessas zonas e que foram deslocadas à força do seu local de vida, para favorecer uma política turística.
O resto do País veio a correr dizer que também está interessado no parco dinheiro que lhes irá ser distribuído, para a direccionar para uma construção que ninguém sabe o que vai ser, ou para uma reabilitação urbana que, eventualmente, não vai resolver a questão da habitação.
Coimbra tem um grave problema de habitação que só será resolvido com um pacto de regime entre partidos políticos, também com instituições do ensino superior mas, sobretudo, na abertura de um diálogo com quem sabe e não em plenários sem utilidade objectiva, que tende a envolver sempre os mesmos, os mesmos, que pouco ou nada já têm a dar à cidade, ao concelho, ao distrito e muito menos à região.
A “Alta da Cidade” está completamente ao abandono onde alguns habitantes não têm uma sanita. Se caminharmos para a “Baixa”, percebe-se à vista desarmada que ao longo dos anos não existiu, nem vontade política nem capacidade técnica para a transformar numa zona com vida. Ambas, embora fazendo parte de uma parte protegida internacionalmente, nunca obtiveram a atenção que deviam.
Chegamos então a um ponto quase impossível de retorno a não ser que os vários poderes se entendam.
Regista-se a boa vontade do Presidente da Câmara Municipal de Coimbra que afirmou que iria investir uns milhões de euros em cerca de 300 habitações na zona da freguesia de Taveiro.
Já temos bastantes “caixotes” onde as pessoas se amontoam e, pior, guetos que são um insulto à civilização ocidental. Não o deveremos voltar a fazer. A realidade é outra!
Por isso, existe todo um trabalho para fazer, nomeadamente pela escola pública e privada, com a obrigatoriedade da frequência com notas valorativas da “Educação para a Cidadania”! Transformar a escola numa “verdadeira instituição do saber”, onde todos saibam exactamente qual é o seu papel. Não tenhamos dúvidas. Olhem à vossa volta. Percebam as muitas famílias que de outras regiões do mundo nos procuram.
Significa que, se por absurdo as questões sociológicas não forem acauteladas, Portugal passará nos próximos 20/30 anos por muitas e graves disputas e dificuldades de relacionamento.
É uma dica que deixo para estudo por quem saiba.
Mas, para além da cidade propriamente dita, e partindo do princípio que após a recuperação da baixa da cidade a mesma não se transforme numa enorme “república de estudantes”, Autarquia e Universidade poderão, ou mesmo deverão, dada a enorme quantidade de alunos que nos procuram, encontrar uma solução diferente e fundar um campus residencial, desportivo, social, científico, entre outros, porquanto, além de existirem terrenos para isso, há vontade de criar condições para que a juventude tenha uma área onde se possa desenvolver na sua plenitude. Assim haja vontade e que a mobilidade seja uma realidade.
Coimbra tem essa capacidade, porque tem uma dimensão mundial que nos coloca na liderança de todas as outras cidades portuguesas.
Não se afirma isto por vaidade, mas pelo facto de, embora com poucos apoios, Coimbra tem empresas tecnológicas de referência que nos coloca no centro do conhecimento e reconhecimento mundial.
Tem faltado uma cidade determinada, actuante, que apresente aos vários níveis do poder instituído, propostas que nos coloquem na vanguarda das várias áreas do conhecimento.
Esta questão da habitação tão cara aos agora comentadores e comentaristas do “achismo” que nada sabem sobre a questão, tem a enorme virtude de encontrar pontes de diálogo entre cidadãos das mais variadas áreas do pensamento, que permitirá aos mais audazes e com a sua concordância, fazer a síntese de um pensamento que nos orgulhará.
Portugal não precisa de poderes intermédios para tratar das “manilhas ou do muro para segurar a estrada”, mas de uma regionalização forte e determinada que nos transporte para uma outra dimensão.
O país parece que ainda não percebeu que já estamos a viver uma economia de guerra e que a vida vai ser dura para todos. Mesmo para aqueles que pensam que o dinheiro compra tudo. E compra realmente, mas é preciso que esse “tudo”, exista!
Mais do que discutir, teremos de conversar!


