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Opinião: Mais (ou menos) Web Summit?

10 de às 12h06
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Terminou mais uma edição da Web Summit, a sétima em Portugal desde que, em 2016, chegou a Lisboa e vindo de Dublin aquele que é considerado um dos maiores eventos de tecnologia, empreendedorismo e inovação à escala global.
Por estes dias, é recorrente lerem-se comentários e críticas, sobretudo pelo apoio financeiro (substancial) do Governo a este evento. As opiniões dividem-se quanto ao seu impacto real na economia e as críticas sucedem-se, sendo inevitáveis comparações com o desinvestimento do Estado noutras áreas críticas como a saúde ou a educação, por parte de uma população não particularmente impressionada com fábricas de unicórnios nem com a presença de nómadas digitais no nosso país.
Ao longo destes anos, muito mais do que dar a conhecer ao mundo as nossas competências e recursos, a qualidade de vida do nosso país e outros fatores, este evento tem contribuído para atrair, em particular a Lisboa, empreendedores e empresários de todo o mundo. Para além do impacto a curto prazo, no qual este tipo de eventos claramente dinamiza a economia (um pequeno exemplo, mais de 40% dos estrangeiros presentes permaneceram na região de Lisboa no fim de semana seguinte ao evento), existem outros impactos que, pela sua natureza intangível, apenas se manifestam a longo prazo e que são muito relevantes para a nossa visibilidade e credibilidade externa.
Basta ver que, nos últimos anos, Portugal tem conseguido atrair cada vez mais multinacionais tecnológicas e alimentar o aparecimento de startups nestes sectores. Estas circunstâncias têm permitido um reposicionamento do nosso país entre os investidores internacionais que, até há poucos anos, nos viam mais como um destino para produção de baixa e média tecnologia e para funções com qualificação também média-baixa. Isto é visível, por exemplo, na quantidade de empresas estrangeiras que decidiram investir e abrir ou ampliar as suas operações no nosso país – Mercedes, BMW, Uber, Bolt, Google, Cisco, Microsoft, entre muitas outras – investimentos que não têm parado de crescer.
Num relatório do Ministério da Economia sobre o impacto da Web Summit neste período, pode concluir-se que este evento tem produzido um impacto macroeconómico muito relevante no nosso país, em resultado do crescimento anual do número de participantes – este ano foram mais de 70.000 de 160 países, 2600 startups e empresas, 1100 investidores, mais de 1000 oradores, números que impressionam.
Promover o empreendedorismo tecnológico e a atração de investimento em setores intensivos em inovação e tecnologia é a melhor forma de modernizar e diversificar o tecido económico. Portugal tem já hoje 7 Unicórnios (empresas com uma avaliação superior a mil milhões de euros) que, no seu conjunto, valem mais de 35 mil milhões de euros, cerca de 15% do PIB nacional. Lisboa continuará a ser o palco da Web Summit, pelo menos até 2028, e Portugal passou a ser, para a tecnologia, um país bem mais conhecido.

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