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Opinião: Mentira conveniente. O “Qatar” em Portugal

22 de às 11h31
4 comentário(s)

Num Mundo cada vez mais sensacionalista, onde imperam precipitados juízos de valor e onde proliferam justiceiros ocasionais, quase sempre respaldados pelas redes sociais, assistimos à indignação de muitos pela realização do campeonato do mundo de futebol no Qatar.
A assustadora informação que nos é veiculada relativa ao número de mortes de trabalhadores da construção civil, ou mesmo relativa à preservação de hábitos culturais bem distantes dos padrões europeus, originou um movimento popular singular que deve merecer reflexão.
Sendo obrigatório que se coloque o valor da Vida humana acima de toda e qualquer estatística, cedo se julgaram as notícias pelos títulos, sem que se tenha tido o cuidado de perceber que o Qatar tem, segundo as Nações Unidas, a mais baixa taxa de mortalidade a nível mundial, e que o número de óbitos declarados desde 2011 reporta à totalidade dos óbitos declarados na comunidade expatriada, que representa mais de 85% da totalidade da população, não tendo qualquer relação com a construção dos estádios para acolher o evento.
Querer fazer associar todas as mortes, desde 2011, seja de causas naturais, de acidentes de viação, ou de qualquer outra natureza, à organização de um evento desportivo e dai querer extrapolar para as condições laborais de todo um País é enganador e perverso. Mormente quando a critica é, muitas vezes, vociferada por indivíduos de países onde os exemplos ao atropelo pela vida humana se sucedem, obrigando-nos a questionar as reais motivações da disseminação de algo que sabemos ser mentira. Que interesses esconde ou que lóbis têm poder para fazer crer verdade esta mentira conveniente?
Estou certo de que muitos dos que se indignam com o país que acolhe o mundial de futebol ignoram que em Portugal existem milhares de imigrantes que vivem sem quaisquer condições de dignidade, constituindo verdadeiros exemplos de uma nova escravatura, cuja continuada exploração deveria obrigar a mais decoro quando se opina sobre o que não se conhece e quando se compactua com a decadente condição com que brindamos quem acolhemos.

Vamos boicotar Odemira?

Assumam-se as reais motivações da critica, condene-se a ausência de equidade, mas não se alicerce a crítica no logro.

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4 Comentários

  1. Z Deluxe diz:

    O Sr. José A. Cunha deveria saber que não é elegante aduzir em causa própria.
    É sabido que o Sr. José A. Cunha tem negócios muito rentáveis no Quatar. Que benefícios teria o Sr. José A. Cunha em defender uma posição agreste aos interesses de valor do Qatar? Nenhuma. Daí só surgiriam contratempos para o Sr. José A. Cunha que tem todo o interesse em ver os seus negócios florescerem no Qatar.
    O Sr. José A. Cunha contribui com o seu esforço de empresário para regulamentar as desigualdades e os atropelos dos direitos que existem hoje no Qatar? Se sim, então o Sr. José A. Cunha poderá contender com esse mesmo exemplo de cidadania global aqui no Diário As Beiras. Se não, não é ética e moralmente elegante fazê-lo. Na prática, não significa que, seja qual for a circunstância em que a sua actuação enquanto cidadão global, não durma invariavelmente descansado à conta.
    Não se conhecerá nenhum princípe tirano do óleo da pedra que durma em estado de tumulto culposo enquanto alguns dos seus súbditos são decapitados.
    Decerto poucos verdadeiramente inteligentes e perspicazes apreciarão o logro e a manipulação.
    O Sr. José A. Cunha tem toda a razão quando alude à exploração dos trabalhadores agrícolas nas terras de Odemira, mas o Sr. José A. Cunha acaba por incorrer na mesma falácia de quem critica o mundial de futebol no Qatar: o Sr. José A. Cunha serve os seus próprios interesses.
    Se o Sr. José A. Cunha assumir as reais motivações para a crítica da crítica, e não houver lugar a medo no seu couto em condenar a ausência de equidade no país com o qual mantém prósperos e rentáveis negócios, talvez os criticados se sintam extraordinariamente motivados para assumirem as suas também grosseiras falácias.
    O Sr. José A. Cunha enquanto estudante na Casa dos Melos era um aluno consistentemente bem-disposto. O Sr. José A. Cunha tem sido um consistente homem de negócios.
    Seria um benefício se na comunidade global todos os seus elementos fossem consistentes em determinadas matérias de interesse comum, como parte constituinte de si próprios.

  2. Ze Deluxe diz:

    O Sr. José A. Cunha deveria saber que não é elegante aduzir em causa própria.
    É sabido que o Sr. José A. Cunha tem negócios muito rentáveis no Quatar. Que benefícios teria o Sr. José A. Cunha em defender uma posição agreste aos interesses de valor do Qatar? Nenhuma. Daí só surgiriam contratempos para o Sr. José A. Cunha que tem todo o interesse em ver os seus negócios florescerem no Qatar.
    O Sr. José A. Cunha contribui com o seu esforço de empresário para regular as desigualdades e os atropelos dos direitos que existem hoje no Qatar? Se sim, então o Sr. José A. Cunha poderá contender com esse mesmo exemplo de cidadania global aqui no Diário As Beiras. Se não, não é ético e moralmente elegante fazê-lo. Na prática, não significa que, seja qual for a circunstância em que a sua actuação enquanto cidadão global se situe, não durma invariavelmente descansado à conta.
    Não se conhecerá nenhum princípe tirano do óleo da pedra que durma em estado de tumulto culposo enquanto alguns dos seus súbditos são decapitados.
    Decerto poucos verdadeiramente inteligentes e perspicazes apreciarão o logro e a manipulação.
    O Sr. José A. Cunha tem toda a razão quando alude à exploração dos trabalhadores agrícolas nas terras de Odemira, mas o Sr. José A. Cunha acaba por incorrer na mesma falácia de quem critica o mundial de futebol no Qatar: o Sr. José A. Cunha serve os seus próprios interesses.
    Se o Sr. José A. Cunha assumir as reais motivações para a crítica da crítica, e não houver lugar a medo no seu couto em condenar a ausência de equidade no país com o qual mantém prósperos e rentáveis negócios, talvez os criticados se sintam extraordinariamente motivados para assumirem as suas também grosseiras falácias.
    O Sr. José A. Cunha enquanto estudante na Casa dos Melos era um aluno consistentemente bem-disposto. O Sr. José A. Cunha tem sido um consistente homem de negócios.
    Seria um benefício se na comunidade global todos os seus elementos fossem consistentes em determinadas matérias de interesse comum, como parte constituinte de si próprios.

  3. Ze da Gandara diz:

    O nosso cronista, defensor acérrimo da qualidade de vida e das condições de trabalho na construção civil no Qatar, para demonstrar a inocuidade das mesmas, por que razão não se sujeitou a uns meses de trabalho na construção civil no Qatar?
    Talvez após esse período de trabalho em excelentes condições de trabalho (como as que existem nos Emirados Árabes Unidos, onde a "cidade" de Sonapor no meio do deserto é sinónimo da boa recepção à la Árabe e do bom acolhimento e integração dado aos migrantes que por lá caem, muitos certamente angariados por máfias como aquelas que florescem em Portugal nas nossas barbas e que tão-pouco incomodam quem quer que seja) fosse mais oportuno ouvi-lo… Até lá… Acho quem merecerá a pena ler os seus floreados vertidos sob a forma de prosa…

  4. Ze Deluxe diz:

    Corrigendum ao comentário publicado:

    1 – 'Catar' (topónimo) e não 'Qatar' (topónimo), apesar de em português, 'catar' designar também 'grupo de camelos', 'récula de mulas', pelo que talvez não seja a forma mais bem sucedida de criar uma forma em concordância com a ortografia portuguesa, o que nos faz poderar mais uma vez na falta de critérios consistentes em português para aplicar à transliteração do árabe.

    2 – 'O Sr. José A. Cunha tem toda a razão quando alude à exploração dos trabalhadores agrícolas nas terras de Odemira, mas o Sr. José A. Cunha acaba por incorrer na mesma falácia de quem o Sr. José A. Cunha acusa de criticar hipocritamente o mundial de futebol no Qatar: o Sr. José A. Cunha serve os seus próprios interesses.', em vez de, 'O Sr. José A. Cunha tem toda a razão quando alude à exploração dos trabalhadores agrícolas nas terras de Odemira, mas o Sr. José A. Cunha acaba por incorrer na mesma falácia de quem critica o mundial de futebol no Qatar: o Sr. José A. Cunha serve os seus próprios interesses.'.

    https://www.theguardian.com/football/2022/nov/19/

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