Opinião: Monumento ao estudante
No âmbito das comemorações do Dia do Antigo Estudante de Coimbra, a Reitoria da Universidade promoveu, no passado dia 4 do corrente mês de Abril, a cerimónia de inauguração de um novo ponto de interesse integrado no Museu da Ciência, mais concretamente no rés-do-chão do antigo Colégio de Jesus (Praça Marquês de Pombal).
Foi-lhe atribuída a designação de “Espaço Efe-Erre-Á – Momentos da Vida Académica” e contou com o apoio da Câmara Municipal de Coimbra, por ter sido um dos projectos vencedores do Orçamento Participativo da autarquia.
Merece felicitações o Director do Museu da Ciência, Prof. Doutor Paulo Trincão, pela criatividade com que ele e a sua equipa conseguiram, num espaço relativamente exíguo, criar uma amostra interessante do que foi e do que, em parte, ainda é, o percurso dos estudantes em Coimbra, na sua vivência académica, mas também na sua interacção com a cidade.
Contudo, e como tive ocasião de sublinhar na intervenção que fiz no acto inaugural, este não é o grande Museu Académico que Coimbra merece, atendendo aos mais de 700 anos da sua Universidade. Há um enorme acervo já acumulado no antigo Museu Académico no Colégio de São Jerónimo. E há, para além disso, muitas instituições e famílias que possuem peças de grande valor histórico que correm o risco de se perder, se não forem acolhidas e devidamente conservadas e exibidas.
Mas isso não retira valor a este espaço. Bem pelo contrário, ele pode constituir um bom aperitivo e um atractivo para o tal grande Museu Académico que se impõe.
Para além de ser uma bela amostra do que são as tradições académicas de Coimbra, é um bom exemplo de cooperação entre a Universidade e a Câmara Municipal.
Esperando que este exemplo se repita e frutifique, aproveitei a cerimónia para publicamente lançar um repto às duas principais instituições desta que é conhecida, em todo o mundo, como a cidade dos estudantes: unam-se para criar em Coimbra um digno monumento ao estudante.
Dir-me-ão que já existe um, no Jardim dos Patos, da autoria do Pedro Cabrita Reis: dentro da água turva do lago uma pequena mesa baixa com uns livros de pedra em cima, intitulado “Cogito”. Apetece-me contrariar a máxima cartesiana e, perante o dito monumento, comentar que “Cogito, ergo non sum”, pois, (sem desprimor para Cabrita Reis, que tem algumas obras que aprecio) não faz jus à importância dos estudantes na cidade de Coimbra.
Permito-me recordar que o Papa João Paulo II esteve em Coimbra em 1981 durante escassas horas, e pouco depois erigiam-lhe imponente estátua junto aos Arcos do Jardim.
Os estudantes estão em Coimbra há mais de 700 anos, mas ainda não tiveram direito a isso.
Por favor unam esforços e façam um digno monumento ao estudante. A Academia merece, a cidade agradece.
Contudo, experiências recentes mostram que isso deve ser feito com cuidado, para que o monumento a criar alie a qualidade artística a um digna representação dos estudantes de Coimbra.
A minha sugestão é a de que se crie um conjunto figurativo, por um escultor com provas dadas nesse domínio. Um monumento que represente os e as estudantes de capa e batina e com que seja possível interagir. À semelhança, por exemplo, do “Pessoa” no Chiado, em Lisboa, onde as pessoas se sentam para tirar fotografias. Aqui poderia haver também bancos de pedra (como os do Penedo da Saudade), com alguns estudantes sentados e outros de pé. Celebrando os que há mais de 700 anos frequentam a Universidade e marcam Coimbra, fazendo jus à designação de “Cidade dos Estudantes”, mundialmente reconhecida, e constituindo um ponto, simultaneamente, de homenagem, de atracção e de divulgação da Academia.
Aqui deixo também uma sugestão para localizar o monumento: o centro da Praça da República.


