Opinião: Não há quem trabalhe…
Se há preocupação comum a todos os que gerem empresas e outras organizações em Portugal, independentemente do setor em que se inserem, é que está cada vez mais difícil encontrar e contratar colaboradores para uma multiplicidade de funções e tarefas: os que têm pequenos cafés não encontram quem esteja disponível para ser empregado de mesa, os que gerem empresas tecnológicas não encontram engenheiros, os que fazem obras não arranjam pedreiros nem carpinteiros… Talvez uma parte da razão de ser deste estado de coisas resulte da crise da natalidade em Portugal que começou nos anos 1980, mas essa redução não explica tudo.
Uma coisa é certa: a crescente falta de pessoas para trabalhar pressiona toda a sociedade portuguesa para contratar cada vez mais trabalhadores oriundos de outros países e de outras culturas. Assim, e de repente, um País que sempre gostou de se definir a si próprio como um país de emigrantes, por haver sempre mais gente a sair do que a entrar, vê-se perante um desafio novo, o de ser um território de imigração, com todos os desafios que isso traz. Tornou-se vulgar, em muitos locais de trabalho, haver pessoas de várias nacionalidades.
A entrada em Portugal de números significativos de imigrantes, colmatando o déficit de recursos humanos que continua a crescer em Portugal, coloca em stress todo o sistema de acolhimento e de controlo de fluxos migratórios, algo que é especialmente grave perante a incapacidade que o Governo Português tem mostrado para, de uma vez por todas, resolver a reestruturação do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Ora, sem um bom sistema de acolhimento e controlo a funcionar, os problemas vão surgindo e com graus de gravidade que são incompatíveis com o País aberto, tolerante e eficiente que ambicionamos ser.
Atrás desta desorganização do acolhimento e controlo, surgem problemas graves e inaceitáveis como a sobrelotação de habitações e a crescimento do número de pessoas e famílias a viver em condições de vida indignas de um país do primeiro mundo, ou o surgimento de comportamentos xenófobos e violentos em indivíduos e grupos anti-migrantes que fomentam ódios e alimentam narrativas de aversão ao estrangeiro.
Portugal devia há muito estar a trabalhar numa política inteligente e ativa para atrair os imigrantes que fazem falta à economia do País, cuidando da sua integração e fiscalizando os abusos! Mas o Governo socialista nem a reestruturação do SEF conseguiu terminar, nos anos que já passaram desde que anunciou a sua extinção!
Na minha semana parlamentar participei na audição do Ministro das Finanças feita na Comissão Orçamento e Finanças. Animado com alguns números sobre as finanças públicas portuguesas que tinham sido divulgados na manhã da audição, Fernando Medina começou o seu depoimento com narrativa sobre os êxitos recentes da política financeira portuguesa: o país está melhor, defendeu Medina, porque o crescimento económico foi dos maiores das últimas décadas, porque estamos a abaixar drasticamente a dívida pública, porque as exportações tiveram um enorme crescimento… Fernando Medina pareceu não se dar conta, porém, de que há um abismo entre esse mundo de anunciados “êxitos” económico-financeiros e a dura e triste realidade em que cada vez mais portugueses vivem, com dificuldade em pagar as contas de supermercado ou em pagar as prestações ao banco… Quando um Governo perde o contacto com a realidade, estamos mal!



É isso mesmo. O governo perdeu o contacto com a realidade e há cada vez mais portugueses com grandes dificuldades em sobreviver. Há produtos alimentares que aumentaram 20% e até mais, quando a inflação ronda os 8%.Não há fiscalização, ninguém controla os produtos.