Opinião: Ninguém quer ser Romeno
Foi recentemente anunciado aquilo que já há muito antecipávamos, isto é, depois da Hungria e Polónia, a Roménia prepara-se para também ultrapassar Portugal. Foi interessante ver como a “brigada do regime” veio logo a terreiro tentar desvalorizar a importância de tal feito. Foi bom, porque obrigou alguns a estudar o assunto e outros a confirmar que nunca aprenderão nada. A má consciência levou a um trabalho intensivo de identificar indicadores que mostravam a superioridade portuguesa em termos de qualidade de vida e de respeito dos direitos humanos e que, logo, desvalorizava o feito Romeno. Houve até quem tivesse o desplante de afirmar que essa “lengalenga” do PIB per capita não era assim tão relevante… Todos temos a noção de que a Roménia tem ainda um longo caminho a percorrer para garantir condições de vida dignas aos seus cidadãos. Em múltiplos indicadores a Roménia está ainda longe dos mínimos de dignidade humana. Mas, e Portugal? Ver gente a morrer à espera de uma ambulância, ver o caos nas urgências, saber que temos 4,4 milhões em risco de pobreza, que o poder de compra tem vindo a cair nos últimos 10 anos, diz o quê sobre nós?
O pior de tudo isto é ser obrigado a reconhecer que nos últimos anos, vindo mesmo lá da cauda da Europa, a Roménia faz um percurso extraordinário, ao passo que Portugal apresenta um registo insuportavelmente negativo. Nos últimos 7 anos a Roménia passa de uns 50% do PIB per capita médio europeu, para uns 73% que em breve serão 76 ou 77%, ao passo que Portugal cai de uns 79% para uns 74%. E a Roménia consegue este feito impressionante com uma dívida pública que é pouco mais de um terço da dívida pública portuguesa.
Pois… afinal ainda há pior. A Roménia com a sua estrutura económica e com a sua dívida pública mais que controlada, tem condições para continuar esta trajetória que lhe permitirá a curto prazo aproximar-se ainda mais da média europeia e melhorar as condições de vida e os apoios sociais à sua população. Ao contrário, Portugal continuará a definhar e a regredir neste seu trajeto imparável de produzir mais pobres, de continuar a degradar os seus serviços de saúde, de ensino, entre outros. Na verdade, segundo a SEDES, Portugal vem, desde 2000, a divergir da Europa e assim continuará. O crescimento do PIB potencial, graças ao espartilho da dívida, entre outros fatores da sua estrutura produtiva, não vai além de 1.1%, até 2030. Já a Roménia se aproxima dos 2%, e em alguns estudos ultrapassa mesmo os 3%.
Finalmente, se quisermos fazer um exercício de cinismo, se a Roménia decidir endividar-se como Portugal, com todo esse dinheiro, quantos hospitais, quantas escolas, quantas Universidades, quantas autoestradas, quantos laboratórios, quantos centros de ciência, …, … poderia construir. Continuando este exercício, entre a Irlanda e a Roménia, não faltam a Portugal exemplos de países que souberam superar o seu atraso e que nos estão a confrontar com o nosso atraso, e que poderão sinalizar os caminhos que nos ajudem a reverter esta incapacidade crónica de progredir. Ah, sabia que segundo o World Happiness Report, a Roménia surge em 13º lugar e Portugal no 25º, no índice de felicidade?



Estatísticas valem o que valem. O que é que a Universidade de Coimbra que recebe milhões para investigação fez para alterar este estado de coisas? Concretamente a faculdade de economia o que faz com os milhoes que recebe para investigação? O centro de estudos sociais gasta milhões e de que forma isso se reflete na alteração das estatísticas que este prof da faculdade de economia fala?