Opinião: Nós por cá…
Perante as sucessivas tragédias com que os portugueses são brindados pela classe política é importante manifestar que estamos fatigados de quem nos desgoverna e mesmo dos que prometem fazer melhor, dispensando estéreis “confrontos palacianos” e exigindo foco nas reais necessidades de todos.
Portugal tem hoje uma das maiores cargas fiscais da europa e um Estado totalmente improficiente, visível na calamitosa condição atual de setores estruturantes como o da educação, da saúde e dos transportes públicos, insistindo na prossecução de políticas que se revelam castradoras de desenvolvimento.
Assistimos há mais de vinte anos a uma vergonhosa discussão sobre putativos locais para a construção de um novo aeroporto, enquanto privatizamos para nacionalizar e posteriormente reprivatizar uma cadiva companhia aérea, assim canibalizando de forma ignóbil o contributo dos nossos impostos. Coabitamos com uma ferrovia do século passado, pela qual pagamos várias vezes mais que a vizinha Espanha que utiliza modernos equipamentos de alta velocidade, tendo Portugal abdicado, por obvia incompetência e anedótica amarra ideológica, de um importante financiamento europeu. Paralelamente, a educação maltrata de forma continuada os seus principais tutores, os professores, e na saúde fecham-se urgências revelando obvio destempo na cuidada reflexão e planificação que o setor exige.
Com uma pirâmide demográfica assustadoramente invertida, fazemos perigar o futuro e a sustentabilidade da segurança social, e ignoramos os jovens e as políticas que promovam a natalidade, bem como fazemos por ignorar tudo o que respeita a uma desejável imigração.
Respeitando sempre a vontade vertida pelos portugueses aquando das suas escolhas políticas, é tempo de refletir sobre a exigência e o escrutínio que fazemos de quem nos governa e representa.


