Opinião: Notas soltas
Este foi um Cinco de Outubro tristonho. Havia um senhor empenhado em prestar homenagem à memória dos que anunciaram e fizeram a mudança de Regime e assim passar o testemunho ao seu neto que o acompanhava. Era uma figura solitária numa Praça só acessível aos convidados institucionais e representou bem o descaso com que em Portugal se trata a sua História e a indiferença com o que o Povo reage.
No círculo dos que tiveram assento duas pequenas curiosidades: a ausência de Montenegro e a presença de Leonor Beleza.
Nos discursos, o tom sombrio do Presidente que está tão preocupado com o andar do mundo que não tem tempo para recados e uma ideia que pode fazer a diferença do lado de Carlos Moedas. O PSD só lá vai com uma postura moderada que é como que diz sendo o fiel da balança que tem de dar espaço aos Liberais e ao CDS que pode/deve recompor-se.
Esta indiferença total que todos parecemos votar às datas simbólicas da nossa evolução coletiva é mais um registo a somar ao que já se tinha visto, para mim com pasmo e alguma revolta, a propósito da trasladação dos restos mortais de Eça de Queiróz para o Panteão Nacional.
É aceitável que se coloque em causa o timing da decisão. Afinal há meia dúzia de anos, aquando da trasladação para Baião das ossadas do genial escritor, bem podia o Estado ter procedido ao seu acolhimento no Panteão. Não terá sido, seguramente, nos últimos anos que os nossos governantes e Instituições se deram conta da qualidade e impacto da obra de Eça de Queiróz.
Ter-se-ia poupado este vai e vem de mau gosto e, sobretudo, a exposição pública de uma desvalorização, essa sim a meu ver inaceitável, da Instituição que honra os nossos maiores.
Coisa diferente é sugerir, como se ouviu, que Eça não pode conviver, post mortem, com futebolistas e fadistas ou que o seu desdém pelo Estado e pela coisa pública em geral o fariam dar voltas na tumba se trasladado. Este tipo de discurso fere gravemente o sentido coletivo do sagrado que todos depositamos num conjunto restrito de símbolos e/ou Monumentos.
Mas é assim que estamos. Indiferentes, apáticos e banais.
Abaixo o 5 de outubro! Viva o Big Brother!


