Opinião: “O desenvolvimento do concelho tem tido em conta a coesão territorial?”
Não
Apetece-me acrescentar: Não e Não.
De facto, seria preciso, antes de mais, considerar se tem havido desenvolvimento do concelho; ora, se, nos últimos anos, perdemos população, a um ritmo superior a outros concelhos a que nos podemos comparar, e, como se não bastasse, a população que temos envelheceu, então não houve, de facto, desenvolvimento.
E porque é que isto vai parecendo uma fatalidade, se não temos falta de potencialidades naturais, se estamos muito bem posicionados geograficamente, se gozamos de segurança?
Porque perdemos uma oportunidade estratégica única, ao partidarizar e desvalorizar a elaboração dos dois documentos estruturantes do nosso concelho: o Plano-estratégico-só-no-nome, que mais nada é do que uma análise SWOT de diversas áreas, sem qualquer esboço holístico ou de desígnio; e o PDM, que de facto tem contribuído para uma concentração ainda maior da população na zona urbana, uma vez que não facilitou a construção nas zonas rurais do concelho.
E porque não se cria uma política concelhia de transportes, assim se castigando as pessoas, sobretudo as mais idosas e as menos abonadas, mas também os jovens estudantes, não só nas deslocações dentro da cidade, como nas para a cidade ou entre as várias freguesias.
Só haverá coesão territorial quando nenhuma pessoa seja prejudicada no acesso aos serviços públicos, à habitação ou a oportunidades de emprego, simplesmente por ter de se deslocar para tal. Falta fazer tudo.


