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Opinião: O eixo Figueira-Coimbra

27 de às 10h27
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O tema proposto é muito vasto “Repensar o Futuro do Turismo”, sendo de tal forma abrangente, que obriga a uma reflexão e consequente explanação que com certeza não caberia no espaço limitado que é proposto.
Por isso refiro-me nos parágrafos seguintes à nossa micro realidade espacial “Eixo Figueira – Coimbra”.
Pela sua proximidade e convivência sócio económica, estas duas cidades estão “condenadas” a pensar conjuntamente o que querem para o futuro da sua atividade turística.
No que respeita à procura, terão de definir que mercados alvo querem captar e que tipologia de clientes querem acolher.
Do lado da oferta, devem entender-se sobre que produtos conjuntos querem oferecer e qual o grau de complementaridade que querem desenvolver e que já executam com assinalável sucesso.
Definidas estas duas componentes, vem o terceiro vetor – que políticas e investimentos conjuntos querem fazer.
Este trabalho conjunto, é obviamente compatível com a política de promoção individual que cada cidade queira desenvolver.
Há muitos anos que sou da opinião de que a Figueira da Foz e Coimbra são duas cidades que, pelas suas raízes históricas, culturais e morfológicas, se complementam admiravelmente.
A Figueira da Foz, pela sua história nesta atividade e condições naturais únicas – rio, mar, serra – tem tradição e fortes valências na atividade turística. São muitas décadas de prática virada para o acolhimento dos forasteiros que nos visitam, com caraterísticas fortemente sazonais e com grande peso do produto “praia, sol e mar”. No passado recente com esforço e dedicação já garantiu o reconhecimento nacional como destino de animação, desenvolvimento de modalidades desportivas de mar e rio e, mais recentemente, como destino e cidade de bem-estar e qualidade de vida, como cidade plana, segura e despoluída.
Este crescimento e sofisticação do seu produto composto, permitiu-lhe atenuar sobremaneira a sazonalidade. Atualmente a Figueira da Foz já “não é só o Verão”, tendo cerca de duzentos dias altos na sua atividade turística – Verão, fins de semana, feriados, pontes e épocas festivas.
Em contraponto, mas fortemente complementar, temos a cidade de Coimbra. Riquíssima histórica e culturalmente, sendo nestas duas áreas a cidade com o maior potencial em Portugal.
As suas instituições mais carismáticas têm grande reconhecimento nacional e mesmo internacional, em alguns casos. São disso exemplo a Universidade, das mais antigas do mundo, os Hospitais da Universidade, como centro de excelência científico e a Associação Académica de Coimbra, como marca imaterial no coração de muitas gerações.
Os saberes múltiplos e a cultura diversificada destas instituições, conferem a Coimbra um potencial verdadeiramente avassalador.
Atrevo-me a dizer que a história e a cultura de Coimbra, se confundem com as da nacionalidade. Que outra cidade encerra em si uma relação privilegiada com o próprio nascimento de Portugal, desde o nosso rei fundador, D. Afonso Henriques e tudo o que se lhe seguiu? Ou que é detentora de uma das cinco bibliotecas mais importantes do mundo, a Biblioteca Joanina? Ou que viu frequentar os bancos da sua Universidade uma miríade de cientistas e escritores, liderados pelo seminal Luís de Camões e genial Eça de Queirós?
Por tudo isto, costumo dizer que a Figueira da Foz e Coimbra são duas componentes de um conjunto perfeito que se complementam entre si.
Por serem tão diferentes quanto a produto oferecido e turista captado, têm um elevado potencial na conceção de formatos conjuntos.
Assim sendo, estou convencido de que o seu futuro na atividade turística se irá desenvolver cada vez mais de “braço dado”.

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