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Opinião: O Estertor do Negacionismo Climático?

14 de às 11h35
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Tem circulado pelas redes sociais, já chegando à imprensa escrita,um recorte do Diário de Notícias de 1 de Agosto de 1944 com o título “39,2 à Sombra em Lisboa – 45,8 em Coimbra”. Sendo apresentado como prova de que calor sempre houve e que a situação actual nenhuma novidade tem. É engraçado que, duma penada, se desbarata o próprio fim da mensagem noticiosa que é apresentar o que sai da normalidade, do quotidiano. Ou seja, mesmo sem ler o artigo conseguimos, se pensarmos, perceber que a situação relatada foi-o porque não era um fenómeno comum. Lendo a notícia percebe-se a surpresa, aliás, é referido que desde que o Instituto Geofísico da Universidade regista temperaturas (1864), apenas no ano anterior (1943) se tinha registado uma temperatura equivalente.
Mais do que uma temperatura máxima excessiva pontual o que se passa é uma onda de calor. Uma onda de calor é definida por um período de seis dias no mínimo em que a temperatura excede 5ºC a temperatura normal para a época. E atenção, também as ondas de calor não são um fenómeno novo. Nem nunca tal é afirmado. O que é registado é que a intensidade (valor da temperatura), a duração (número de dias em que a temperatura se mantém acima de 5ºC da temperatura normal) e a frequência (número de ondas de calor anual) são factores que têm aumentado. Especialmente a duração, mas também a frequência. Essa é a novidade. Por isso não aparecem notícias com o título “39ºC em Lisboa”…
O negacionismo apresenta uma estrutura que se repete em várias matérias. Seja nos malefícios do tabaco, seja na poluição, seja nas alterações climáticas e, até, nas doenças e vacinas como pudemos constatar nos últimos dois anos. Primeiro nega-se a realidade, apresentam-se estudos encomendados ou descontextualizados a “demonstar” o oposto.
Depois nega-se a causa, põe-se em causa os cientistas, portadores da mensagem. Pelo meio afirma-se que sempre foi assim, atirando ao vento factos anedóticos. É uma guerra de trincheiras em que os negacionistas vão recuando de uma para outra e, por vezes, fazem um contra-ataque. Nem todos são, obviamente, integrantes de uma mega conspiração, nem todos propalam a desinformação de forma dolosa. O problema é que, como no presente caso, não pensarem porque é que foi notícia em 1944 (porque era INCOMUM) acabam por favorecer o negacionismo.
Perguntava se será o estertor? Não, acho que não. Posso reconhecer que andei enganado, que o negacionismo climático estava moribundo, tirando a vertente de atrasar soluções não assimilando a emergência. Mas não, vai reaparecendo. E, acho, vai continuar a reaparecer. Não se deixe embarcar,

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