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Opinião: O estranho caso dos Limões!

29 de às 12h29
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A falta de produtos e /ou componentes, especialmente causada pela guerra na Ucrânia, as debilidades que ainda permanecem depois de quase dois anos de pandemia, os efeitos de uma política monetária liderada pelo BCE e que teve efeitos ao nível das decisões de investimento e da procura familiar, empresarial e estatal, levaram a que , e repente, nos víssemos confrontados com uma subida generalizada de preços.
Este facto está mais escondido ou mais exposto dependendo da necessidade absoluta dos bens de que falamos. E, naturalmente, ninguém pode passar sem comer. A distribuição, os preços dos produtos nas prateleiras do supermercado passaram a ter uma importância e uma cobertura jornalística como já não víamos há anos. Essa coisa dos preços da “cesta básica” era para nós coisa de brasileiros.
A explicação composta que ensaiei no primeiro parágrafo passou a justificar tudo. Até que me deparei, numa grande superfície, com o Kg de limões a 2.50 euros!!
Acontece que Portugal está na lista dos 50 maiores produtores mundiais, sendo a produção interna obviamente excedentária para o nosso consumo coletivo.
Fica claro que as razões, sérias, que provocam o momento inflacionário são aproveitadas para justificar a mais desenfreada e inexplicável especulação.
Este aproveitamento injustificado acaba por se voltar também contra as próprias empresas. A União Europeia, e desde ontem, o governo português decidiram aplicar um agravamento fiscal sobre os ditos “lucros extraordinários” das empresas de distribuição. Qualquer coisa como uma determinada percentagem sobre os lucros acima dos 20% a mais da média obtida nos últimos anos.
Acontece que o que parece ser uma boa ideia pode afinal ser bastante injusto. A média dos lucros dos últimos anos foi fortemente afetada pela pandemia. É como ter o nosso Pib a crescer em 2022 mais de 5%. Não é porque tenhamos produzido mais. É porque a base de 2021 é muito baixa.
Talvez nada disto fosse preciso (o sector emprega milhares de pessoas e não deve ser fragilizado) se as empresas fizessem um esforço e destrinçassem com justiça e sabedoria o que tem mesmo de ser vendido mais caro e o que não tem qualquer justificação para assim ser.

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