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Opinião: “O Kaput político”

15 de às 12h02
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Para os sul-africanos, o “Kaput” é o fim da linha. É quando as máquinas se avariam sem mais concerto; quando algo deixa de funcionar; quando as coisas se desmoronam, enfim, quando as estruturas públicas e governativas entram em colapso também devido à ignorância, ganância e arrogância dos seus responsáveis.

Por exemplo, é frequente ouvir os sul-africanos dizerem que a estatal eléctrica sul-africana Eskom está “Kaput”. O que estão a dizer é que a empresa pública está “falida” e “disfuncional”, porque todos os dias há apagões de mais de duas horas sem energia eléctrica, várias vezes ao dia e há pelo menos vintes anos!

Muitas destas dificuldades teriam sido evitadas se não houvesse um autêntico Kaput de competências. Mas nem os governantes se entendem. A extensão e intensidade da crise, até então desconhecidas, impuseram uma nova concepção da política económica e social, e de governação neste país.

A ideia de que o regresso à normalidade só acontecerá com a intervenção aberta do Governo socialista sul-africano, deu lugar à aplicação da estratégia de “Kaputização”, desenvolvida durante quase três décadas no grande laboratório da administração do Estado através da corrupção pública derivadas de iniciativas de empreendedorismo partidário, tendo o “inversor” como facilitador.

Num cartoon publicado esta semana na imprensa sul-africana, um ministro de calções e havaianas à beira da piscina, na sua residência oficial, explicou pelo telefone a definição do Kaput sul-africano a um amigo socialista europeu: “Well, we have an inverter that gives us free power, it’s called the Taxpayer.”

Trata-se também de um modelo com menos “burocratização” do que o “ecossistema político-empresarial” português, em que o “inversor” é um político que participa em empresas “com tamanho proporcional ao número de políticos”, segundo a visualização interactiva das relações de membros de Governos de Portugal com empresas e grupos desde 1975 a 2013, disponível em https://pmcruz.com/eco/.

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