Opinião: O Natal: Uma História de Amor
Porque é que independentemente da religião, credo ou fé, toda a gente se deixa tocar, comover e envolver, pelo Natal? O que é que faz com que esta celebração nos encha de esperança? A resposta é só uma: o Natal é uma história de amor. E o amor é universal – não tem credos. Ou melhor: o amor é um credo em si mesmo.
O Natal é a história de um menino que nasceu em Belém, num estábulo, sem nenhum luxo, no meio dos animais, tendo uma manjedoura por primeiro berço e, no entanto, é a história do nascimento de uma das maiores figuras – religiosas, históricas e literárias – de sempre: Jesus de Nazaré, filho de Deus, o Messias, fundador da Igreja. Um bebé que veio para nos salvar, uma personificação do amor e da esperança, como são todas as crianças. É a história de um homem, de carne e osso, como nós, que veio ao mundo para nos ensinar o perdão e a empatia. Um homem que nos ensinou a olhar para nós antes de julgar os outros (“quem de entre vós não tiver pecado, atire a primeira pedra”), a partilhar o pão e o vinho. Um homem que, através do seu exemplo, mostrou que é fé tudo o que se semeia no coração, e que um cristão se torna Igreja sempre que perdoa e ama. Um homem que é uma história de amor.
Mas o Natal é, também, a história de um carpinteiro que recebeu nos braços um filho que não era seu, que o amou e dele cuidou, com o coração inteiro, sabendo que, como dizia Saramago, um dos nossos maiores ateus, no seu “Ensaio sobre a cegueira”, “não é só a voz do sangue que não precisa de olhos, o amor, que dizem ser cego, também tem a sua palavra a dizer”. O homem que Deus escolheu para ser pai adotivo do seu filho – um carpinteiro, um operário (e, por isso, é o Padroeiro dos Trabalhadores), que acabou por ensinar ao Messias o mesmo ofício – é, acima de tudo, um símbolo da família, no que ela deve ter de mais definidor: um espaço de amor, aceitação e compreensão. José, o Padroeiro das Famílias, que empresta o seu nome a várias igrejas, no mundo inteiro, foi apenas isso: um pai de família, que amou os seus sobre todas as coisas – e isso é tudo. Um homem que é uma história de amor.
Mas o Natal é também a história de uma Mãe que dá à luz um filho para servir os outros; um filho que verá ser preso, torturado e crucificado, que acompanhará nesse caminho de dor, do primeiro ao último passo, sofrendo ao seu lado, atenuando-lhe a dor com a sua presença. O Natal é também a história de um parto cheio de dificuldades: antecedido por uma viagem longa de José e da grávida Maria, da falta de uma casa para a criança nascer, da gruta fria de Belém. Esta é também a história do Natal, à imagem do que o grande Ary nos recordou: “tu que dormes à noite na calçada do relento, numa cama de chuva com lençóis feitos de vento, tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento, és meu irmão, amigo, és meu irmão”. Esta é também a história de todos nós, a história que o Natal nos deu: todos iguais, todos irmãos. O Natal é também a história de Maria, a Mãe do mundo, a Mãe do todos nós, que nos fez, a todos, irmãos. Uma mulher que é uma história de amor.
Esta é a história do Natal: a história de uma família que passou por todas as provações, todas as dificuldades, e superou-as com amor. É a história de todas as famílias, com tanto de divino, como de humano. E, por isso, este é o tempo da esperança, de todas as esperanças, de todos os nascimentos. O Natal é uma história de amor.


