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Opinião: O ponto da situação

09 de às 09h56
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As escolas portuguesas têm sofrido nestes últimos anos letivos uma anormal agitação de que saem prejudicados os jovens alunos.
Depois do Covid vieram as greves de professores, convocadas por diversos sindicatos e nem sempre coincidindo no tempo.
Em abono da verdade, continuam as escolas a funcionar com os recursos que lhes são disponibilizados, aproveitando todas as ocasiões para realizarem atividades enriquecedoras dos estudantes. Lembre-se que na altura do terrível terramoto que atingiu a Síria e a Turquia, uma escola do norte do país estava neste último país, cumprindo mais uma etapa no desenvolvimento do Programa Erasmus+. E este é apenas um exemplo.
Goste-se ou não, o Erasmus+ é um programa europeu para a educação, formação, juventude e desporto para o período 2021 a 2027. Entusiasmados com as hipóteses de poderem conhecer novos países, novas culturas, novos colegas ele contribui para potenciar o desenvolvimento pessoal e profissional de todos os cidadãos, reforçando a identidade europeia, a coesão social e a empregabilidade das pessoas.
Eu sei que em toda a Europa uma parte dos cidadãos e das organizações políticas não se mostra particularmente admiradora destes objetivos, mas eles são o que são e traduzem a realidade atual dos 27 países que compõem a União Europeia.
O Erasmus ”promove também o trabalho das organizações no âmbito de parcerias europeias ou internacionais com um vasto leque de intervenientes públicos e privados e fomenta a partilha de conhecimento e a inovação nas áreas da educação, , juventude e desporto”.
Isto para dizer que as escolas não ficaram paradas e aproveitaram (bem) o tempo que tiveram para melhorarem a formação para a cidadania dos seus alunos.
Entretanto, as reivindicações dos professores continuam vivas e manifestam-se das mais diversas maneiras, ora com um pendor claramente extremista, ora com um aspeto mais tradicional, mas seguramente com efeito todas elas.
A contagem do tempo de serviço que passou para a primeira linha da preocupação justa de milhares de professores continua a ser ignorada pelos governo, o que é lamentável, tanto mais quanto as suas afirmações são de que Portugal teve o maior crescimento económico de há não sei quantos anos para cá, coisa que não se vê na forma de vida dos portugueses, com inflação a comer qualquer melhoria salarial que seja decidida pelas entidades patronais, Estado incluído.
De acordo com dados existentes (não sei se fiáveis) os justos acertos da prestação na carreira correspondem a menos de 1% do orçamento do país e se se tomarem em conta todas as carreiras da administração pública também é uma gota de água no mar orçamental. Mesmo a sua projeção a cinco anos, dizem os Diretores das escolas, não representa uma especial sobrecarga orçamental e não se mostra como uma impossibilidade.
É que sem resolver esse problema a tensão social continua em patamares elevados, com manifesto prejuízo para alunos e as suas famílias.
E, a propósito, não gostei de ouvir um dirigente sindical apelar aos pais para não levarem os filhos à escola. Não foi bonito e caiu mal. Mas seguramente que outras formas de envolver as famílias nesta questão global serão encontradas.
Acredito que este momento difícil por que estamos a passar será em breve ultrapassado e a turbulência se transformará em acalmia.
Uma nota final. A Assembleia da República aprovou uma alteração à Lei de Bases do Sistema Educativo que permite às escolas politécnicas a concessão do grau de doutor e dando-lhes a categoria de universidades politécnicas.
Não era apenas isso que os Institutos Politécnicos desejavam, mas foi um passo a mais na sua implantação na rede nacional.
Creio que as universidades não terão ficado muito satisfeitas com a mudança, mas essa será uma questão a ponderar no sentido de ser encontrada a melhor forma de convivência tranquila, a bem do ensino em Portugal.

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