Opinião: O ponto da situação
As escolas portuguesas têm sofrido nestes últimos anos letivos uma anormal agitação de que saem prejudicados os jovens alunos.
Depois do Covid vieram as greves de professores, convocadas por diversos sindicatos e nem sempre coincidindo no tempo.
Em abono da verdade, continuam as escolas a funcionar com os recursos que lhes são disponibilizados, aproveitando todas as ocasiões para realizarem atividades enriquecedoras dos estudantes. Lembre-se que na altura do terrível terramoto que atingiu a Síria e a Turquia, uma escola do norte do país estava neste último país, cumprindo mais uma etapa no desenvolvimento do Programa Erasmus+. E este é apenas um exemplo.
Goste-se ou não, o Erasmus+ é um programa europeu para a educação, formação, juventude e desporto para o período 2021 a 2027. Entusiasmados com as hipóteses de poderem conhecer novos países, novas culturas, novos colegas ele contribui para potenciar o desenvolvimento pessoal e profissional de todos os cidadãos, reforçando a identidade europeia, a coesão social e a empregabilidade das pessoas.
Eu sei que em toda a Europa uma parte dos cidadãos e das organizações políticas não se mostra particularmente admiradora destes objetivos, mas eles são o que são e traduzem a realidade atual dos 27 países que compõem a União Europeia.
O Erasmus ”promove também o trabalho das organizações no âmbito de parcerias europeias ou internacionais com um vasto leque de intervenientes públicos e privados e fomenta a partilha de conhecimento e a inovação nas áreas da educação, , juventude e desporto”.
Isto para dizer que as escolas não ficaram paradas e aproveitaram (bem) o tempo que tiveram para melhorarem a formação para a cidadania dos seus alunos.
Entretanto, as reivindicações dos professores continuam vivas e manifestam-se das mais diversas maneiras, ora com um pendor claramente extremista, ora com um aspeto mais tradicional, mas seguramente com efeito todas elas.
A contagem do tempo de serviço que passou para a primeira linha da preocupação justa de milhares de professores continua a ser ignorada pelos governo, o que é lamentável, tanto mais quanto as suas afirmações são de que Portugal teve o maior crescimento económico de há não sei quantos anos para cá, coisa que não se vê na forma de vida dos portugueses, com inflação a comer qualquer melhoria salarial que seja decidida pelas entidades patronais, Estado incluído.
De acordo com dados existentes (não sei se fiáveis) os justos acertos da prestação na carreira correspondem a menos de 1% do orçamento do país e se se tomarem em conta todas as carreiras da administração pública também é uma gota de água no mar orçamental. Mesmo a sua projeção a cinco anos, dizem os Diretores das escolas, não representa uma especial sobrecarga orçamental e não se mostra como uma impossibilidade.
É que sem resolver esse problema a tensão social continua em patamares elevados, com manifesto prejuízo para alunos e as suas famílias.
E, a propósito, não gostei de ouvir um dirigente sindical apelar aos pais para não levarem os filhos à escola. Não foi bonito e caiu mal. Mas seguramente que outras formas de envolver as famílias nesta questão global serão encontradas.
Acredito que este momento difícil por que estamos a passar será em breve ultrapassado e a turbulência se transformará em acalmia.
Uma nota final. A Assembleia da República aprovou uma alteração à Lei de Bases do Sistema Educativo que permite às escolas politécnicas a concessão do grau de doutor e dando-lhes a categoria de universidades politécnicas.
Não era apenas isso que os Institutos Politécnicos desejavam, mas foi um passo a mais na sua implantação na rede nacional.
Creio que as universidades não terão ficado muito satisfeitas com a mudança, mas essa será uma questão a ponderar no sentido de ser encontrada a melhor forma de convivência tranquila, a bem do ensino em Portugal.


