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Opinião: O prestígio da política em questionário…

17 de às 12h06
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O País tem assistido a uma estranha série de erros de escolha do Primeiro-Ministro para diferentes lugares no Governo. Começámos com governantes que se aguentaram poucos meses, passámos por outros que duraram semanas até chegarmos à incompreensível nomeação de uma Secretária de Estado que se aguentou pouco mais de 24 horas… Por umas, ou por outras, razões, foram já mais de uma dezena os Ministros e Secretários de Estado que saíram nos 9 meses de vida deste Governo. Como é que um Primeiro-Ministro que sempre foi hábil a negociar para ir mantendo os seus governos minoritários à tona de água, consegue perder o controlo político de um Governo de maioria absoluta? Um enigma…
Apertado com a série negra de insucessos nas escolhas, o experiente António Costa percebeu que precisava de inventar qualquer coisa para evitar que a perda de prestígio do Governo ameaçasse irremediavelmente a sua própria popularidade pessoal.
Infelizmente, a “solução” de que se lembrou e que o Governo validou em Conselho de Ministros na passada quinta-feira, não é boa para a qualidade das instituições políticas, mesmo que cumpra a missão de desviar as atenções para a catadupa de erros.
O questionário, cheio de itens patéticos, destina-se a ser respondido por escrito por eventuais candidatos a funções políticas mas não se entende a sua eficácia para evitar erros de casting. Quando o que mais queremos é ver gente preparada e com prestígio a assumir funções políticas e governativas, o procedimento agora inventado resulta na infantilização e na menorização dos indigitados, reduzindo (ainda mais) o leque dos que aceitam exercer funções públicas em Portugal. Quantas pessoas sérias e preparadas estarão confortáveis em responder a um questionário em que, no fundo, se pergunta se são, foram ou estão a contar ser “honestas”? Todos sabemos que jurar seriedade costuma ser timbre dos aldrabões e dos burlões que, quanto mais desonestos são, mais costumam clamar a sua virtude… ao contrário, as pessoas de bem nem precisam, nem gostam, de o jurar na praça pública!
O novo procedimento não tem só esse efeito nefasto de afastar gente séria da política. Ao abrir a porta a que deixe de ser exclusivamente o Primeiro-Ministro a responsabilizar-se pelas escolhas, rompendo com uma prática de décadas, a quem é que, para além do Primeiro-Ministro, irão os portugueses passar a assacar responsabilidades quando as nomeações voltarem a correr mal? Aos Tribunais? À Assembleia da República? Ao Presidente da República? Ao indigitado? A todos estes ou só a alguns, e em que proporção? A confusão que o Governo introduz no sistema constitui uma perigosa trapalhada para a limpidez da democracia e é a melhor ajuda para quem a combate.

A minha actividade durante a semana passada
– No âmbito da Comissão de Orçamento e Finanças, pela audição da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos, sobre encerramento de balcões, e pela audição regimental do Governador do Banco de Portugal. Nesta última, ficou claro que, apesar de alguns sinais recentes de controlo da inflação, é de esperar que a taxa de juro continue a crescer na zona Euro. Tempos difíceis para as famílias e para as empresas…

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