Opinião: O que têm em comum os professores e a Jornada Mundial da Juventude?
Em Portugal nada acontece como era suposto: é o desígnio dos países pobres. Temos umas jornadas da juventude decididas em 2019 mas nada foi feito em devido tempo. Agora, a jornada da juventude já não vai ser uma jornada… queremos uma jornadazinha; não queremos um palco, queremos um palcozinho! O governo não faz nada… nem faz nada bem. Mas o povo e o populismo que o alimenta, também não quer nem deixa que nada se faça bem.
Ao mesmo tempo, os professores, que finalmente puseram pés ao caminho, também não vão ter nem o que desejam nem mesmo o que, provavelmente, lhes é devido. Por isso, o ministro deixou claro: atenção professores, há mais portugueses para além de vocês. No final, e porque finalmente, o governo se deu conta da força dos professores (não por causa das greves… mas, porque não há professores), haverá uma aproximaçãozinha às suas exigências. Todavia, aquilo que eles assumem como um direito adquirido, a recuperação integral do tempo perdido, nem pensar.
Somos um país pobre: não há dinheiro para tudo. Na verdade, não há dinheiro para nada. Não há dinheiro para aumentar salários, não há dinheiro para o SNS, para as escolas, as esquadras não têm condições, as estradas estão ao abandono… e os professores, vão ficar de mãos a abanar. Sabemos que os custos estruturais aumentaram de forma muito expressiva: nunca houve tantos funcionários públicos, nem tantos recibos verdes no estado; as 35 horas tiveram custos! As reversões tiveram custos! Há demasiada gente e demasiados interesses sentados à mesa do orçamento. O dinheiro não chega para tudo e é preciso fazer opções: o governo mostrou qual era a sua opção e hoje pagamos o preço dessa opção, que nos está a empobrecer.
O dinheiro não chega para tudo, caros professores. Os cerca de 300 milhões de euro que custa a reposição do tempo de trabalho dos professores, não podem ser atribuídos porque representam um custo que se repete: um custo estrutural. Claro que não se podem comparar com a TAP, porque esse é um custo pontual: one shot (acho que é assim que se diz). Todavia, convido os leitores a verificaram quantos gastos se fizeram com o argumento de serem pontuais, como o resgate do BPN, da CGD, do BANIF, do BES, na TAP, nas PPPs rodoviárias, etc. Na verdade, elas transformaram-se num gasto estrutural, porque infelizmente se repetem todos os anos. O orçamento de estado está cheio de gastos que o governo nos quer fazer crer pontuais, mas que na verdade são o elemento que alimenta a máquina do poder e que nos condena à pobreza.
Os professores enfrentam desafios como falta de recursos e de apoio, sobrecarga de trabalho, excesso de burocracias, incerteza e afastamento das famílias, baixos salários e falta de valorização profissional. Alguns também lidam com questões como falta de respeito e violência nas escolas. O governo tem muito para oferecer aos professores, mesmo antes de chegar às questões de carreira e de remuneração. Esperemos que o governo saiba pôr mãos à obra e começar a melhorar as condições de exercício da profissão e que, ao mesmo tempo, comece a fazer opções mais sensatas no que respeita aos gastos estruturais a que decide dar prioridade.


