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Opinião: Observar também é uma decisão

14 de às 12h28
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O ano de 2022 caminha a passos largos para o seu final. É ainda precoce fazer balanços do ano que agora decorre, mas é altura de começar a “desenhar” o ano de 2023. Orçamentar o ano de 2023. Sendo um orçamento um documento previsional onde gerimos as nossas expectativas, o que é que podemos expectar sobre uma base tão instável como a que vivemos actualmente? Resposta difícil de se conseguir dar.
2022 libertou os negócios das amarras da pandemia de covid-19 e permitiu-nos recuperar os negócios com a normalização do consumo. Hoje, o consumo apresenta ainda níveis ditos normais, mas impera a necessidade de se limitar o acesso ao dinheiro, procurando consequentemente uma redução de consumo que permita controlar a espiral inflacionista que vivemos. Também a este propósito, é possível perceber pela divulgação dos dados do banco de Portugal para a taxa de inflação registada para o mês de outubro de 2022, que somos cada vez menos a tão anunciada excepção e que a tendência é de nos igualarmos à zona euro: 10,6% de taxa de inflação homóloga.
Assim sendo, com o que é que contamos? Embora a estimativa da nossa governação não considere a hipótese de contracção económica em Portugal para 2023, a desaceleração do crescimento da nossa economia é uma certeza e teremos que perceber que impacto irá gerar essa desaceleração no consumo interno. Por outro lado é quase certo (e é isso que afirma por exemplo o Fundo Monetário Internacional) que o PIB mundial irá encolher em 2023. Vender entre portas e além-fronteiras tornar-se-á uma tarefa mais difícil. É também uma certeza que o custo associado à mão de obra sofrerá um aumento. Os elevados níveis de taxa de emprego e da pouca mão de obra disponível no mercado de trabalho gera ainda a consequência acessória de ter que se ser atrativo para além do “normal” para que a mesma não falte aos nossos processos. A somar a tudo isto, e sendo talvez um dos pontos de maior importância e mais transversais a toda a economia, é necessário perceber que tendência nos trará 2023 no que à energia diz respeito. Este é um fardo realmente muito pesado, que se torna penoso dado o seu prolongamento temporal, sem que seja possível vislumbrar soluções a curto prazo.
Na indústria alimentar (a que melhor conheço) a obrigação que resulta de um somatório de factores como a anteriormente referida crise energética, as consequências da guerra na Ucrânia, a instabilidade das colheitas (cada vez mais afectadas por períodos de seca extrema ou por intempéries) e os excessos de procura, por exemplo, têm levado os preços para níveis quase incompreensíveis. A quem está de forma correcta no mundo dos negócios e não procura aproveitamento desmedido de fases difíceis como a que atravessamos, chega a envergonhar os preços a que temos que colocar no mercado os produtos que transformamos.
De olhos postos em 2023, tendo como ponto de partida e base de decisão o ano de 2022 até à presente data, qual é a melhor das decisões? A meu ver, é mesmo ficar a ver. Ver bem de perto e muito atentamente para que possa ajustar sempre que necessário.
“Não podemos controlar o vento, mas podemos ajustar as velas”. Vejamos que ventos nos trás 2023 e ajustemos as velas em conformidade.
*Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

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