Opinião: Obstrôncios
Uma ideia que fica entre o obstruído de ideias e o abstracto de pensamentos e talvez o bronco de estilo. Os obstrôncios estão em todo o lado. Curtos de informação, sabedores de regras e de normas, dominando protocolos, não têm jogo de cintura, não adaptam, não ajustam, não articulam conhecimento, não percebem a importância da interligação de experiências, não sabem que normas não se devem aplicar a todos os casos e dificilmente são flexíveis em tudo o que tocam. Obstrôncio é também aquele que não antecipa situações. Se vou caminhar descalço corro maior risco de pisar o que não quero. Se não olho para o rótulo corro o risco de beber lixívia. Se me atiro ao mar do Índico talvez encontre um tubarão. Se vou jantar a um lugar onde a polícia desaconselha, corro o risco de vir despido. O obstrôncio tem direitos e vocifera por eles. Ele vai ao médico e quer ser atendido à hora descrita. Não importa que outro demore mais, não importa que as doenças não são todas iguais, não interessa que o médico veja mais consultas do que lhe é pedido e exigido. O “normas “ quer horários. O “normas “quer exactidão no tempo. Por isso é um obstrôncio e escreve em livros de protesto constantemente. Há gente desta no direito, na política, na administração, na função pública, na saúde. Encontrar um cidadão sem queixas à beira de um acidente. Um cidadão que corresponde a nenhuma queixa, ausência de dores, tranquilo, consciente, orientado, conversando ao telemóvel com a família pode ser uma histeria para um obstrôncio. O “normas” pergunta pelo acidentado e enfia-lhe colar cervical, maca kokil, imobiliza-o e leva-o em stress ao hospital. O coitado é uma vítima do protocolo e não do acidente. A inflexibilidade é prima da ausência de visão, é irmã da falta de sabedoria, da inexperiência. Para o obstrôncio gastar dinheiro público é um não problema. Destruir património é uma não importância.


