Opinião: Os “Ambientalistas”
Nos debates, discussões, confrontos, sobre ideias de cidade, de uso do território surge amiúde a rotulação de «Ambientalista» a quem defende um determinado campo. Normalmente defender que entre espaço para carros particulares ou manutenção de árvores, se deveria privilegiar a continuidade das árvores. Ou, face à instalação de um qualquer foco de poluição, considerar que se deveria tratar e eliminar essa poluição. Posições «radicais» desse jaez.
O tal apodo «ambientalista» é muitas vezes – nem sempre, mas muito – proferido com um ligeiro intuito menosprezador, quiçá mesmo ofensivo. «É um ambientalista, não havia de ser contra o corte das árvores?»… No tempo da outra senhora quem defendia coisas como direitos laborais ou de liberdade expressão também era rapidamente catalogado (insultado?) de «comunista».
Estas catalogações têm um condão e uma intenção. Generalizar, atribuir a um campo, e, consequentemente, libertar quem tem opinião contrária da necessidade de discutir os argumentos apresentados. Rotula-se o interlocutor para evitar discutir os argumentos.
Exemplo de diálogo :
Senhor A:
– “Quero cortar estas árvores para criar estacionamento para mais cinco carros”.
Senhor B:
-”Eu acho mal cortar essas árvores, elas dão sombra, tornam a rua mais agradável e vão ser cada vez mais necessárias, atendendo ao aquecimento global. Já os carros são um problema na cidade, vai necessariamente ter que diminuir o seu uso. Por outro lado, qual a lógica de abater essas árvores, que dão sombra e beneficiam TODOS os residentes e utilizadores dessa rua, para proporcionar estacionamento a CINCO donos de automóveis que os precisam de estacionar?”
Senhor A:
-”O senhor é um ambientalista!”
Perceberam? A rotulação poupa muito na argumentação…
Passando ao lado que o que o senhor B argumenta são razões de qualidade de vida para os munícipes, não uma qualquer entidade abstracta utópica.
O famoso físico Richard Feynman disse um dia «Quem acha que percebeu a física quântica é porque não sabe nada do assunto».
Eu diria que, hoje em dia, no contexto que conhecemos, quem não fôr «ambientalista» é porque está mal informado sobre o seu futuro.


