Opinião: Os desafios ao Sul para Marcelo
Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente dos afetos, esteve na semana passada na África do Sul. O ponto alto da visita de Estado, a primeira em quase 30 anos, foi a assinatura de um acordo de Defesa com a também potência Atlântica. “Pois foi a abertura de uma nova fase”, considerou.
“Mas também para a África do Sul vai ser mais evidente como é prioritário Portugal na Europa. Pode ter connosco um relacionamento que é mais fácil do que com outros países com os quais tem menos afinidades, por muito simpáticos que sejam esses nossos parceiros europeus”, argumentou em Pretória, observando: “É realismo óbvio”.
Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, além da Defesa “há tanta coisa que pode avançar, na economia, nas finanças, no investimento, no turismo, na educação, na ciência e na tecnologia” com a economia mais desenvolvida do continente.
Esta visita foi importante porque “havia um certo afastamento ou desconhecimento entre os dois países”, afirmou, questionando “como é que era possível, com uma comunidade portuguesa tão grande como aquela que existe na África do Sul”. Mas a iniciativa surpreendeu a maioria dos observadores.
“No meio das nuvens escuras do isolamento ocidental e possivelmente até de sanções contra a África do Sul, a cordialidade e o entusiasmo recíproco durante a cerimónia de assinatura foram um alívio nos círculos diplomáticos”, considerou o analista sul-africano, André Thomashausen, que vê Portugal emergir agora como um “potencial comunicador” entre a UE e a África do Sul.
Marcelo Rebelo de Sousa iniciou a visita de Estado na Cidade do Cabo acompanhado de um submarino e de um navio patrulha da Marinha de Guerra portuguesa, em vez do navio-escola Sagres com a Cruz de Cristo e o Infante D. Henrique, figura de proa e grande impulsionador da Expansão e dos Descobrimentos Portugueses, e veio igualmente celebrar o 10 de Junho aproveitando para encerrar um ciclo político de meio século com os ex-residentes das antigas colónias de Angola e Moçambique: “Demorou tempo, mas fez-se, e essa reconciliação eu acho que está largamente feita”, considerou.
Todavia, adiado ficou em nome do Estado e do Governo português um pedido formal de desculpa às numerosas famílias que se viram abandonadas sem referendo e eleições, em 1974, no meio da violenta descolonização.


