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Opinião: Os Idosos

03 de às 09h56
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A relativamente curto prazo, metade da população no nosso País terá mais de 60 anos, nascem menos bebés; as crianças e jovens sofrem uma diminuição significativa, os idosos serão muitos mais.
É nas localidades do interior que a população idosa se concentra em maior número, possivelmente permanecendo na terra que os viu nascer, ou simplesmente desfrutam da reforma, longe das grandes cidades, do stress, perto da natureza enfim.
Muitos são casais que permanecem unidos, até que um deles parta. Quando isso acontece ficam então sós, agarrados à sua casa, às memórias, enquanto se sentirem com forças, e as suas condições físicas e psicológicas assim o permitam.
Então perante estes contextos, o que poderá e deverá ser feito, por quem de direito, pelos idosos que o são hoje, e pelos que o serão amanhã? A realidade está longe do racional e ideal, onde seria suposto estas matérias serem tratadas com mais zelo, preocupação, responsabilidade e repensadas de igual modo para todos. Onde a qualidade de vida deveria ser uma prioridade, sem dúvida, “apostar-se” nas pessoas e no seu envelhecimento.
Um envelhecimento onde a felicidade fosse uma constante, onde os idosos se sentissem gratos pelos anos vividos e onde aquela viagem sem retorno, fosse encarada com paz, sem sofrimento e que a solidão não fosse a heroína desta vida vivida, quantas vezes de trabalho árduo, dedicação a tudo e todos. São eles, sem dúvida, que mais pensam, sentem e aguardam de olhar sereno, pelo dia da partida…
Seria belo, envelhecer serenamente, relembrando ainda os anos em décadas passadas, decerto mais tranquilo, mais salutar, em que os avós acompanhavam de perto o crescimento dos netos e estes acolhiam uma aprendizagem, que lhes serviria para a vida! O tempo permitiria sublimar as qualidades, apreender o significado da gratidão, minimizando a solidão e a saudade.
Turvadas agora estas vivências e de certo modo, pela falta de atenção de tantos que vivem uma vida louca de correria. Envelhecer tornou-se, pois atualmente, uma tortura para tantos pais “aprisionados” e para tantos outros filhos que resignadamente os “depositam” em lares, sem alternativas possíveis ou até alcançáveis.
As tecnologias e a ciência vieram trazer novas realidades, esperanças e soluções para o avanço sustentável da humanidade e inclusivamente a cura para muitas doenças, e se a par da evolução houvesse a preocupação de tornar os dias dos idosos, com “qualidade”, não seria utopia!
O marcante, não será propriamente viverem-se muitos anos, mas “viver-se bem”, com qualidade de vida!
Tornarmo-nos numa humanidade, onde não nos esvaziássemos do essencial, não nos distraíssemos do importante, construindo uma sociedade mais justa, onde não se adiassem palavras de conforto, gestos de ternura, sorrisos de incentivo…criando lares, que fossem verdadeiramente lares, onde cada idoso sentisse, que a etapa da idade, a de envelhecer, fosse uma aprendizagem salutar, de gratidão à vida e jamais de resignação, construindo assim um futuro onde cada um de nós, gostasse de percorrer e envelhecer.
Urge criar condições para uma qualidade de vida superior, proporcionando um ambiente o mais próximo possível da realidade, com vários programas sustentáveis, onde há interação e inclusivamente estimulação social. Criar apoios individualizados na saúde, na socialização se necessário recorrendo a Instituições que proporcionem esses benefícios.

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