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Opinião: Para além das aulas

20 de às 08h54
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A agitação que se vive nas escolas após dois anos de pandemia permite ressaltar aspetos diferentes do funcionamento dos estabelecimentos de ensino e do trabalho dos professores, alunos e encarregados de educação.
A deslocação há duas ou três semanas a Bruxelas de uma delegação de cerca de 100 professores (!) para se encontrarem com eurodeputados/as, a quem apresentaram e explicaram as reivindicações por que se batem, é um curioso exemplo da vontade férrea de não deixarem cair em pano roto tudo aquilo que em boa verdade os move. Assim, desejam mostrar que têm na retaguarda uma organização forte, reivindicativa, bem oleada, capaz de fazer atravessar a Europa uma tão luzida representação. Eis, verdadeiramente, uma nova faceta das lutas dos professores.
Entretanto, por cá, com o apoio dos docentes que apostam em mostrar que a escola não é só o ensino dos programas e das disciplinas curriculares, há iniciativas pedagógicas sobre os mais diversos temas, desde o alerta para as “fake-news” como recentemente aconteceu com alunos do Agrupamento de Góis, que dessa maneira ficam alertados ( e espero que motivados) para lerem mais, de maneira mais crítica, de modo a que esse simples ato de virar as páginas de um livro (e de outro e de outro) os possa ajudar a melhorarem o seu sucesso escolar e a entenderem melhor o que vai pelo mundo.
Mais perto de Coimbra, em Condeixa, ainda a leitura e os livros. Alunos e professores foram capazes de transformarem a literatura num jogo de tertúlias “à boa maneira dos cafés do início do século XX”.
O Agrupamento Marinho de Árias, de Soure, o Agrupamento da Martim de Freitas, e muitos outros, foram visitados por atores, por escritores, por gente que os quis ajudar a viverem melhor neste mundo tão sujeito aos desconsertos de que já o poeta falava.
Noutras escolas aproveitou-se o tempo para visitar jornais, aprender coisas da arte indo a museus ou apenas e só conhecer as cidades a partir das suas ruas, dos seus caminhos, das suas figuras mais relevantes.
Em Oliveira do Hospital a Festa da Primavera teve o objetivo de sensibilizar os alunos do Agrupamento para a preservação do Ambiente e ali, à beirinha do mar, em Vila Verde, na Figueira da Foz, os pais e encarregados de educação optaram por fazer uma apresentação de produtos artesanais.
Uma palavra de louvor para a PSP que tem percorrido muitas escolas, alertando para os perigos que espreitam do outro lado da esquina, sejam eles no setor do trânsito, sejam nas burlas a que mais novos e mais velhos estão frequentemente sujeitos.
Isto também é mesmo escola, em tempo de crise, claro, porque está a faltar ou a caminhar com irregularidade o outro aspeto que a compõe e que não é menos importante: as aprendizagens a que a escola e os professores se comprometem perante a sociedade e que fazem parte do seu caderno de encargos.
Já agora, não quero esquecer, no âmbito do ensino não formal, os alunos do Centro de Formação da Figueira da Foz que fizeram uma torre Eiffel em escala 1/1000 e que lhes levou 500 horas de trabalho, creio que no âmbito da sua formação em soldadura. Agora é só visitarem o original, que bem o merecem.
Ficam de fora muitas outras atividades que não cabem nestas linhas a que submeto os meus textos. Mas prometo que vou olhar para outros estabelecimentos de ensino da nossa região e que, sempre que possível, trarei aqui as suas atividades. Espero que em breve possam dar à costa novidades mais substanciais. Espero…

NOTA – O café Koala, na Rua António José de Almeida, ao chegar à rotunda de Celas, merece o apoio de todos nós. É um espaço que dá resposta no mercado de trabalho a pessoas com trissomia 21. A funcionar de segunda a sábado, o espaço é acolhedor e a simpatia de quem nos serve e o seu esforço para que tudo corra bem é um valor acrescentado. Parabéns à Associação Olhar 21 pela iniciativa ora tomada.

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