Opinião: Passou um ano e é sempre a piorar!
Faz um ano que o PS ganhou as eleições com maioria absoluta livrando-se dos parceiros da geringonça.
O Povo Português terá acreditado que esta seria a melhor solução governativa para o país.
O “terá acreditado” é para ser entendido em termos hábeis, uma vez que, quem vota desconhece o sentido do voto maioritário dos restantes eleitores.
Quero crer que os Portugueses não quiseram dar uma maioria absoluta ao PS. Calhou!
Se fosse possível antecipar os resultados não teria havido tanta deslocação de voto, sendo que, cada um, individualmente considerado, teria feito outras opções.
Estas considerações são irrelevantes para efeitos de aferir as condições que foram dadas ao PS e da responsabilidade e deveres que estas acarretam.
Temos um Governo que beneficia de circunstâncias excecionais para alavancar e tirar o país da cauda da Europa.
O Governo tem maioria absoluta para governar, tem dinheiro a rodos do PRR para investir no país e, no entanto, o que tem feito?
Tem aproveitado estas oportunidades?
Tem feito as reformas que Portugal tanto precisa?
A taxa de execução do PRR tem sido positiva (já nem digo excecionalmente positiva, como se impunha!)?
Os projetos escolhidos são estruturais para o desenvolvimento económico e social do país?
Os investimentos estão a ser bem feitos?
O Governo está a gerir bem estes orçamentos dos fundos comunitários?
Vamos ter maior robustez e competitividade no tecido empresarial?
Mais e melhores condições de desenvolvimento científico e tecnológico?
Podia continuar a formular muitas mais perguntas cujas respostas bem sabemos que são negativas.
Infelizmente para os Portugueses e para Portugal.
Não só não temos o desenvolvimento que o investimento maciço do PRR devia trazer, como assistimos a uma degradação acentuada dos serviços públicos e das condições e qualidade de vida dos Portugueses.
A justiça é o que se vê.
A morosidade processual, em muitos casos, consubstancia uma autêntica denegação de justiça.
Desgraçado – e é mesmo essa a palavra! – do cidadão que se veja obrigado a recorrer aos tribunais administrativos e fiscais.
A imobilidade e paralisação são os atributos destes tribunais. Uma autêntica vergonha.
As custas judiciais são elevadíssimas e o sistema de acesso ao direito está completamente desfasado da realidade, deixando as franjas da classe média de fora.
Para já nem falar nos anos intermináveis da duração dos inquéritos criminais, com os inerentes pelourinhos públicos a queimar em lume brando os agora presumíveis culpados, em contraponto com o Princípio da presunção de inocência até trânsito em julgado de qualquer sentença condenatória.
Depois de expostos nos tribunais da opinião pública, sempre com os oráculos dos comentadores, coadjuvados pelas inefáveis redes sociais, não há produção de prova ou sentença absolutória que os salve do labéu da morte civil a que já foram inexoravelmente condenados.
A quem interessa deixar o MP e as polícias sem meios para fazerem investigações escorreitas e céleres?
Mas, compulsando os demais serviços públicos, vemos que todos estão mal.
O SNS está exaurido não obstante os magotes de milhões que ali são despejados.
Falta uma gestão conhecedora e eficaz.
E o ensino? Os professores saíram à rua e bem!
Se a política do Governo para a educação não arrepia caminho qualquer dia não há ninguém que queira enveredar pela carreira docente, com gravíssimo prejuízo para a formação das gerações vindouras e, como é bom de ver, do futuro do país.
A educação é a base da sociedade. É por aí que tudo começa e assenta.
E o funcionamento das repartições públicas?!
Onde ainda vigora a regra do agendamento antecipado, com cidadãos a irem de madrugada para as filas sem conseguirem ser atendidos e a venda corrupta de senhas de atendimento pelas máfias que se formam junto dos entraves burocráticos?!
Um ano desperdiçado. Um ano com tiques de sobranceria e “todo-poderosismo”.
Um ano sem tino, em que nem na escolha dos governantes conseguiram acertar.
Habituem-se, há quem diga. Não, não nos vamos habituar.
A confiança dos Portugueses foi defraudada.
Muitos outros anos virão.
A minha atividade na semana passada
– Fiz as audições à Secretária de Estado da Proteção Civil e ao Presidente da ANEPC sobre as cheias de Lisboa;
– Fui ao Conselho Nacional do PSD;
– Participei na reunião do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-Angola;
– Participei na reunião da Comissão para a Revisão Constitucional;
– Participei na sessão do Conselho dos Julgados de Paz.
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