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Opinião: Proposta da Rentrée: Plantem Árvores

07 de às 10h15
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Ei-nos chegados à rentrée, às águas «de Setembro» fechando o Verão (adaptado para o nosso hemisfério). E por onde começar? É que estação tonta, tradução de «Silly Season» já não é o que era. Os anúncios, os eventos, os acontecimentos já não páram nem abrandam.
A abrir Julho o Eng. António Guterres voltou a clamar para a questão do clima, com os resultados das temperaturas médias globais a quebrarem três vezes o recorde em três dias seguidos. Ainda em Julho a notícia da temperatura da água no Mediterrânio ter chegado aos 30ºC.
Ainda, de novo em Julho uma deputada do, talvez, único partido negacionista climático com assento na Assembleia da República ter feito confundido as noções de «o tempo que faz» com o Clima dizendo qualquer coisa como qual aquecimento se até está fresquinho na minha rua… Todos os restantes deputados presentes se mostraram indignados, demonstrando a sua responsabilidade com os factos e a ciência. Mas então? Pergunto eu? Se estão tão conscientes da realidade porque não transparece isso nas políticas e nas discussões?! É que essa senhora deputada, se estiver a ser sincera na ignorância exposta, pelo menos tem essa desculpa.
E entra Agosto com a notícia que o Ministério do Ambiente e Acção Climática aprovou o corte de cerca de dois mil sobreiros para instalar eólicas… E sempre com a justificação de que será compensado pois vão plantar mais árvores noutro lado do que as que havia. Já ouvimos esta falácia tantas vezes… Desta vez desmascarada pelo sector da cortiça ao explicar que a decisão terá um impacto forte no curto/médio prazo pois plantações de árvores «infantis» não substituem o corte de árvores adultas. É preciso tempo, que é o que não temos.
Chega Agosto ao fim e temos a Agência Portuguesa do Ambiente a desvastar a galeria ripícola do Mondego clamando que a está a recuperar… como tem espécies invasoras corta-se tudo e depois planta-se o que se quer, mesmo que já lá estivesse.
Ainda em Agosto a equipa do Doutor António Rochette publica um trabalho sobre a relevância dos pequenos espaços arborizados nas cidades para a adaptação climática.
O Doutor Jorge Paiva recebeu, muito justamente, a Medalha de Ouro da Cidade de Coimbra. No discurso clamou que se plantem árvores na cidade. Terá sido ouvido?
O plano de arborização da Câmara Municipal de Coimbra prevê a plantação de «1607 árvores». Acho graça ao rigor. E escrito assim parece muito, mas, a meu ver, é pífio face ao necessário. E, nos entretantos, continuam com o abate de árvores adultas que nos dão sombra agora e não só daqui a trinta anos…
É neste cenário que se apresenta uma ideia. Um pequeno contexto antes. As respostas às alterações climáticas dividem-se em duas vias, adaptação e mitigação. Mitigação refere-se à diminuição das emissões. A adaptação refere-se à preparação para os efeitos das alterações. Traduzindo, se eu estiver num carro a acelerar numa estrada que termina num muro, levantar o pé do acelerador seria mitigar, pôr o cinto-de-segurança seria adaptar.
Ora as cidades têm que se adaptar. Uma das consequências que já estamos a sentir são as ondas de calor. Agravado por as cidades, por diversas razões, terem uma temperatura média superior ao território onde se encontram. Uma das formas mais simples é proporcionar sombras, como concluído no trabalho referido. Uma das formas mais baratas de proporcionar sombra é… plantando árvores.
Então o desafio é este: Plantem árvores, em todo o lado. Nas rotundas. Porque temos rotundas arrelvadas em vez de arborizadas? Plantem árvores nos separadores das avenidas. Plantem árvores em todas as ruas. Promovam a plantação de árvores nos estacionamentos de superfície das áreas comerciais. Plantem árvores nos espaços abertos. No Terreiro da Erva, por exemplo. A que lá está, em ferro, pode ficar, mas plantem árvores de «madeira e seiva». No Rossio de Santa Clara, na praça em que se fazia a feira «sem regras». Percebem porque é que já não é ali a feira? Porque o espaço é hostil. Virão dizer que tapa o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha? Será que um clichê turístico vale a utilização do espaço por todos?
Plantem onde já há árvores, elas não duram para sempre, terão que ser substituídas. Que o sejam garantindo a continuidade da sombra. Preparem-se, planeiem.
Há ruas onde não é possível? Haverá, mas em caso de duvida plantem. Se numa rua se perder um par de lugares de estacionamento haverá um par de condutores afectados negativamente mas todos os residentes beneficiarão.
E se tiver sido um erro? Se mais tarde se perceber que ali não deveria ter sido plantada aquela árvore? Simples, corta-se (não falta experiência, diga-se). Errem por excesso de plantação, não por defeito. Uma árvore pode ser abatida numa tarde mas demora uma trintena de anos a dar sombra.
E misturem velocidades de crescimento, para nós (eu) ainda beneficiarmos da sombra das mais rápidas e garantir a continuidade futura com as mais lentas.
Plantem árvores, façam uma revolução verde. Seria algo pelo qual seriam lembrados, que marcaria positivamente o vosso legado e o futuro usufruto da cidade. E não esperem. Conta-se que o presidente Nasser, do Egipto, ao ouvir do responsável das florestas que uma dada área do Nilo beneficiaria em ser arborizada, perguntou se havia planos e quando pensavam começar. Ter-lhe-á sido respondido que começavam a nmédio prazo e que demoraria pelo menos trinta anos a que área ficasse arborizada, ao que respondeu «Se demora tanto então começam é já amanhã!».
Plantem árvores, senhores autarcas, nas Praças, nas Ruas, Nas Rotundas, plantem «como se não houvesse amanhã», pois que é disso que se trata.

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1 Comentário

  1. Poortugues diz:

    Espero que os Ornatos não se importem deste pequeno devaneio a propósito deste tema:

    A cidade está deserta,
    E alguém cortou árvores em toda a parte:
    Nas praças, nos bairros, nas rotundas, nas ruas.
    Em todo o lado essa derrubada
    Repetida ao expoente da loucura!
    Ora árida! Ora tórrida!
    Pra nos lembrar que o comodismo é uma doença,
    Quando nele julgamos ver a nossa cura!

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