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Opinião: Quem quer vir para Bruxelas?!…

24 de às 11h53
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Portugal está manifestamente sub-representado nas instituições europeias. Da Comissão ao Conselho, passando pelo Parlamento, o número de executivos, cargos de alta direção e técnicos portugueses é em número ostensivamente menor que o de outros Estados-Membros com quem nos poderemos comparar. O que pode parecer apenas um detalhe burocrático quantitativo é, na verdade, uma grave lacuna que tem prejudicado por anos o nosso país. Afinal de contas, na lógica da complexa teia legislativa e de procedimentos europeus o número de nacionais que – em representação ou não do respetivo país – pode ter um papel relevante no resultado final não é uma questão de somenos!
Esta falha vem detrás e tem muitos anos. Finalmente, o atual governo, de forma muito discreta, mas espera-se igualmente eficiente, começou por enfrentar este problema (que é muito mais que um desafio) no âmbito da discussão orçamental em curso. Pelos vistos pretende o governo inscrever no orçamento um milhão de euros para este desiderato estratégico: o reforço do peso de Portugal em Bruxelas. E vai fazê-lo por duas vias fundamentais (que não serão as únicas!): aumentar o número de funcionários públicos destacados na Comissão (os chamados “peritos nacionais destacados”) e promover/adaptar os mecanismos de treino e qualificação de candidatos portugueses às instituições europeias, designadamente por via do Colégio da Europa, em Bruges.
Destarte, criar condições financeiras (e políticas) para poder abrir as portas de Bruxelas a mais funcionários públicos portugueses, que por um período de tempo venham aqui desenvolver as respetivas competências nacionais, afigura-se uma medida da maior relevância para a afirmação dos interesses nacionais no quadro das instituições e para a carreira do próprio perito nacional, que se vê assim valorizado e com a possibilidade de uma experiência internacional.
De igual modo, termos mais jovens universitários com a ambição de se candidatarem a um lugar nas instituições, em Bruxelas, traz imensas vantagens para o reforço de Portugal no projeto europeu e na internacionalização dos nossos jovens profissionais. Para tanto importa provocar a atenção dos jovens, aumentar a visibilidade dos concursos, envolver mais ativamente as universidades e treinar objetivamente para o tipo de testes em causa…
Isto que parece simples levou tempo demasiado a ser decidido e os resultados concretos (em representatividade e qualidade) só se verão daqui a alguns anos. Mas a decisão política deste governo encarar de frente este sério problema merece já um enorme aplauso!

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