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Opinião: Refletir sobre as migrações

30 de às 11h50
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Todos os dias ouvimos falar em Portugal no envelhecimento da população, não a entendida como aumento da longevidade (que nos deve orgulhar), mas com o sentido de relação idosos/mais jovens (ou, se quiserem, reformados versus em idades mais jovens, ou ainda, quiçá intencional e malevolamente, reformados versus em idade activa). Associadamente, surgem quase sempre os problemas do salário mínimo, das pensões de reforma e, só agora mas finalmente (até parece que com vergonha), do salário médio. Já pensaram como é que um reformado, idoso, a precisar de alguém que o ajude nos cuidados diários de sua casa, mesmo que com o salário médio nacional (que pouco maior é do que o salário mínimo), pode pagar um salário mínimo a alguém que o ajude? O salário mínimo de outros países europeus é maior do que o português? Certo. Mas também já compararam o salário médio português com o salário médio europeu?!
Não longe desta problemática (ou até por causa dela), surge o problema migratório.
No século passado, os portugueses emigravam para o Brasil, para França, Luxemburgo, Suiça … emigração sobretudo de gente do Norte e do Centro, cultural e profissionalmente não qualificada, para trabalhar na construção civil, na agricultura, em serviços domésticos … Mão-de-obra barata nesses países!… Resultado?! O desaparecimento da população em idades de trabalho do interior do Norte e do Centro … a desertificação do Interior … o abandono da agricultura … o abandono de aldeias inteiras (hoje transformadas em aldeias turísticas)!…
Neste século, assistimos a um problema mais complexo … mas, eventualmente, pelas mesmas razões!… Internamente, migra-se com facilidade de terra para terra (de espaços urbanos ou rurais, do Norte, do Sul, do Interior ou do Litoral), temporária ou definitivamente, numa manifestação da natureza nacional portuguesa. E até será interessante verificar-se a crescente participação de mulheres nestes movimentos migratórios, em contraste com o que outrora acontecia. Todavia, continua, infelizmente, a predominar o fluxo dos centros rurais do interior para o litoral urbano.
A nível de emigração/imigração, desde o início do novo milénio que se assiste a uma realidade migratória muito complexa, caracterizada por uma simultaneidade de fluxos de entrada e de fluxos de saída em que intervêm factores económicos e laborais, mas também factores sociais, sócio-políticos ou democráticos. Assim, a imigração em Portugal é uma realidade complexa em que entram, por vezes em simultâneo, todos aqueles factores, desde os que justificam o volume de imigrantes provenientes do Brasil e das Ex-Colónias portuguesas (grande parte a trabalhar em hotelaria, restauração e outras actividades turísticas), de imigrantes provenientes de diversos outros países africanos ou asiáticos (em actividades agrícolas ou de serviços) ou dos imigrantes recebidos por solidariedade humanitária. Em qualquer dos casos, a exigir uma rigorosa atenção e um rigoroso equacionamento dos processos de integração na nossa sociedade de acolhimento, certos de que, por parte deles, procuram melhor qualidade de vida do que a que tinham nos seus países de origem, mas, pela nossa parte, vieram preencher vazios que as nossas políticas económicas foram permitindo.
Em relação à emigração, somos todos obrigados a reconhecer (e os nossos políticos já há muito que o deveriam ter feito) que, se no antigamente eram os menos escolarizados e qualificados que emigravam, hoje são os cidadãos qualificados ou altamente qualificados que emigram. Digam que é um produto da globalização, do sentir de liberdade ou libertação dos jovens, o que quiserem! Mas a natural ambição dos jovens, a consciência do valor da sua qualificação e do valor do seu trabalho, não se compadece com os baixos salários que lhe oferecem … com a insegurança que vêem nos empregos … com uma ausência de carreira profissional … com as perspectivas de futuro que lhe apresentam! Não é por acaso que os estudantes universitários, chegados ao fim dos seus cursos ou ainda antes, começam cedo a tratar ou planear o seu caminho fora de Portugal!
E, depois … não há médicos, não há enfermeiros, não há professores, não há técnicos qualificados? Todos sabem que há! Reconheçam-lhe o seu valor … garantam-lhe um futuro condigno!

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