Opinião: Sedicioso
Em Espanha, como em Portugal, a democracia parece que ainda gatinha. Provavelmente por ser jovem, a compulsão para fazer uma omeleta permite partir quantos ovos forem necessários. É uma atracção hedonista pelo instantâneo, que ontem já era tarde. Não há um minuto a perder para olhar para o passado, e o futuro é hoje. Depois de terminada a geringonça portuguesa, a Espanha prepara-se para uma coligação “Frankenstein”.
Desvaloriza-se o facto de o PSOE ter perdido as eleições, pois ganhou mais 2 lugares no Congresso dos Deputados (passou de 120 para 122). Apesar de o PP ter vencido em 38 das 50 províncias espanholas, apesar de ter vencido as eleições, recuperando 47 lugares, subindo de 89 para 136, dizem que a vitória é escassa. Parece que também em Espanha, a esquerda radical está ao virar da esquina, apelidada de parceira natural do PSOE.
Para governar, ainda congeminam agregar os separatistas do País Basco e da Catalunha. Irá o PSOE aliar-se ao Bildu, partido político herdeiro da ETA, que nunca condenou os mais de 800 homicídios cometidos pela organização terrorista? Irá o PSOE incluir na coligação o partido Juntos Pela Catalunha, liderado por Carles Puidgemont, exilado na Bélgica após ter sido condenado em Espanha pelos crimes de sedição, peculato e desobediência?
Tudo o que parece perdido, pode também surgir como oportunidade para erguer a dignidade da política e dos políticos. Poderiam os 2 maiores partidos construir pontes, fazer acordos, estabelecer vias de diálogo que permitissem evitar novas eleições em breve. Têm um Rei, Filipe VI, que certamente pode ajudar. Enquanto ainda há muito por decidir, e na medida em que o Verão vai ser quente, desejo boas férias a todos os leitores do diário As Beiras. Todos os dias o poderão ler. Até Setembro.


