Opinião: Sem regras a bandalheira instala-se na sociedade

Não sei os meus caros amigos já se deram conta do incómodo, quando um qualquer energúmeno se deleita a ouvir uma porcaria qualquer no telemóvel, no pressuposto que o vizinho é obrigado a ouvir o que ele quer. No restaurante, nos transportes públicos, etc.
O maior gozo que me dá quanto tal acontece, é colocar a música do gajo do acordeão que reza assim; “meto o carro, tiro o carro da garagem da vizinha” em altos berros, para aquela gente perceber que há “outra gente” por perto!
Também, e já agora, alguns Papás que não conseguem controlar o comportamento dos filhos, carregam jogos, jogatanas e correlativos, seja onde for e a que horas for para que as crianças estejam sossegadas. É ca uma chinfrineira!
Alguns deles, vítimas da chantagem dos filhos, não se importam de passar por mal educados e mal formados para se verem livres das birras dos meninos.
Claro que as crianças só tomam atitudes anti-sociais, porque os papás também não foram ensinados, que, “a sua liberdade acaba quando começa a liberdade do outro”!
Por isso a escola tem mais funções…assim haja ordem!
Por tudo isso e o mais que eu não quero descrever, penso que está na altura de regular o uso do telemóvel – muito útil para ligar e trabalhar – mas de grande inutilidade para incomodar o vizinho.
O que levará alguém a conversar com a amiga nos confins da terra e contar os feitos dos filhos e dos netos, como se só existissem aqueles seres na terra e os outros fossem um bando de inúteis? Ainda por cima numa carruagem de um comboio? Se a estupidez pagasse imposto…!
Lembra-me uma “estória” com uma amiga que não achou piada nenhuma.
Vinha eu com a minha filha com meia dúzia de meses de vida, e encontrei essa minha amiga com filho da mesma idade. Como diria Jô Soares, “conversa vem conversa vai, ou não vai”, e a minha amiga não se conteve e esteve a contar os feitos e habilidades do seu menino mais de 20 minutos. Por fim, quando percebeu que eu estava, estaria por perto, perguntou; e a tua filha? Bem, retorqui eu, a minha filha é uma criança normal!
Ficou zangada, naturalmente, durante uns dias mas percebeu duas coisas; a primeira é que eu estava a brincar e a segunda é deveria dar mais atenção ao outro.
Noutro patamar, o que dizer daquela rapaziada que usa o boné na cabeça como adorno – coisa fina, já se vê! – e com ele entra nas Igrejas, nos Panteões Nacionais – sim, que Santa Cruz é Panteão – nas salas de aula, etc. e usa-o de forma indiscriminada?
Vem tudo isto a propósito da falta de respeito, latente e evidente, com muitos cidadãos – podem-se apelidar assim? – que, ao ouvirem o Hino Nacional, não mantêm o silêncio, “ladram” qualquer coisa para o vizinho – talvez até acerca da forma como o músico vai vestido ou sopra no instrumento, sabe-se lá! – muitos deles não sabendo sequer a letra e depois aplaudem como se tivessem estado com muita atenção compenetrados no acto solene. Sim. Porque quando se ouve o Hino Nacional, é um acto solene porque de respeito e respeitoso!
Há daqueles “americanizados – os jovens já têm esse hábito e será bom que o percam – que têm o mau hábito de colocar a mão no coração ao invés de tomarem outra atitude.
Eu explico; “tronco direito, braços ao longo do corpo, dedos unidos, queixo levantado, calcanhares unidos”.
Se usar boné, boina, chapéu ou similar deve-o retirar da “cachola”! Quando acabar pode voltar à posição normal!
Sou conservador? Talvez. Mas sinto-me bem assim. Sem regras a bandalheira toma conta da sociedade!

