Opinião: Space Weather
Decorreu no final de Junho na Universidade de Coimbra a Escola Ibérica de Verão de Ciência do Espaço. A Escola, que acolhe umas dezenas de jovens investigadores de todo o mundo, foca-se em Space Weather.
O termo resume uma série de fenómenos com origem no espaço que afectam o funcionamento de satélites e, directa ou indirectamente, o nosso dia-a-dia à superfície da Terra. O Space Weather engloba processos tais como o vento solar, e tempestades e quantidades de plasma provenientes do Sol, a radiação cósmica, e detritos de asteróides e cometas. Felizmente, a atmosfera e o campo magnético da Terra protegem-nos dos aspectos mais nocivos do Space Weather.
Do Sol, para além da luz que nos aquece e ilumina, chega-nos um fluxo de electrões, protões, etc., que nos atinge à velocidade absurda de 1,8 milhões de km/h. O campo magnético da Terra deflecte este vento solar em direcção aos pólos, onde choca com a atmosfera e produz a aurora.
A superfície do Sol, em permanente ebulição e permeada por campos magnéticos, ejecta grandes quantidades de plasma. Ao embater no campo magnético da Terra, estas provocam tempestades geomagnéticas, cuja violência pode inutilizar satélites (aconteceu no início de 2022 com 40 satélites Starlink.)
Do universo mais distante chega-nos radiação cósmica que atinge energias milhões de vezes superiores às que conseguimos produzir no laboratório do CERN. Esta radiação tem origem em supernovas, quasars e nos núcleos de certos tipos de galáxias, fenómenos que são alvo de investigação continuada pela comunidade de astrofísicos. Ao embater na nossa atmosfera, esta radiação provoca cascatas de partículas que já chegam à superfície sem perigo para a nossa actividade.
Ao longo da sua órbita a Terra atravessa trilhos de detritos de asteróides e cometas. Também estes são na sua grande maioria aniquilados na atmosfera, provocando as belas “estrelas cadentes”. Mas a possibilidade de colisão com um detrito de maiores dimensões existe, e missões tais como a DART levada a cabo em 2022, estudam maneiras de desviar tais riscos da órbita de colisão.
Tal como o “Earth Weather”, o Space Weather precisa de ser permanente monitorizado. Com o crescente número de satélites em órbita, que nos ajudam em tarefas tão habituais como, de telemóvel em punho, passear sem precisar de mapas em papel, aceder ao nosso e-banking e comunicar uns com os outros em qualquer lado, a importância de antecipar e mitigar possíveis consequências do Space Weather é crucial.


