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Opinião: Tomada(s) da Bastilha

09 de às 12h50
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A cidade de Coimbra é o único local do Universo onde se celebram duas “Tomadas da Bastilha”, embora nenhuma das celebrações diga respeito à genuína ocupação que marca a História de França e do Mundo.
Porque essa primeira “Tomada da Bastilha” (e a única que, em bom rigor, faz jus a esse nome…), aconteceu no séc. XVIII, nos arredores de Paris, com o assalto a uma antiga fortaleza transformada em prisão, denominada “La Bastille”. Foi no longínquo ano de 1789, no dia 14 de Julho, e essa conquista foi assumida como símbolo da Revolução Francesa, cujos ideais de “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, iriam mudar a História de França e do Mundo.
Tamanha foi a importância deste acto, que a data foi assumida como Dia Nacional de França, continuando até hoje a ser comemorada como tal.
Mas não é isso que se celebra em Coimbra…
Sucede que em 25 de Novembro de 1920, um grupo de 40 estudantes tomou de assalto o chamado “Clube dos Lentes” e aí instalou a Associação Académica de Coimbra. Esse grupo, liderado por Alfredo Fernandes Martins (que viria a ser um advogado de muito prestígio e fundador da Casa dos Pobres de Coimbra), decidiu chamar “Tomada da Bastilha” à sua ousada acção, por analogia com a conquista da Revolução Francesa de 1789.
É esta “Tomada da Bastilha” ocorrida há 102 anos, que será assinalada no dia 25 deste mês por antigos e actuais estudantes. Embora o programa ainda não tenha sido divulgado, presumimos que a AAC promoverá o tradicional cortejo nocturno, com archotes. Está também prevista a assinatura de um protocolo de cooperação entre a AAC, a Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra e a Associação das Cozinhas Económicas Rainha Santa Isabel, no âmbito de um projecto designado por “Abraço de Gerações”.
Também no dia 26 de Novembro, a AAEC em Lisboa promove a comemoração do 102.º aniversário desta “Tomada da Bastilha”, com um Jantar de Gala no Casino Estoril, em que participam os Antigos Orfeonistas e um grupo da Secção de Fado da AAC, e será feita a evocação do Prof. Rui Alarcão.
Quanto à “Tomada da Bastilha II”, ela ocorreu em 4 de Abril de 1954, quando um grupo de alunos da Universidade levou a cabo acção semelhante, ocupando o Instituto de Coimbra, igualmente como protesto contra a falta de instalações condignas para a sua Associação. E a verdade é que essa ousadia esteve na origem da construção da nova sede da Associação Académica de Coimbra e do Teatro Académico de Gil Vicente.
Entre os protagonistas da “Tomada da Bastilha II” contavam-se Fernando Mendes Silva (que viria a ser Presidente da Câmara Municipal de Coimbra e da Académica), Júlio Serra e Silva, Viriato Namora e Polybio Serra e Silva – que era o único sobrevivente, e que faleceu no passado dia 14 de Outubro, deixando enorme saudade em quantos tiveram o privilégio de ser seus amigos.

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