Opinião: Um ano no país do sol nascente
No próximo dia 8 de março completo um ano como Embaixador de Portugal no Japão. Longe de vos querer fazer um balanço, caros leitores, creio que o mesmo é positivo. Em março de 2022, trazia na bagagem a esperança e a convicção de poder afirmar um novo Portugal, moderno e competitivo, fazendo a ligação com as raízes históricas que aqui temos e que remontam ao século XVI. Foram 365 dias diferentes, num país único e com o qual merecemos uma parceria duradoura.
Fui a Nagasáqui e a uma série de outras províncias, vendo o respeito que Portugal inspira por todo o arquipélago e procurando transformá-lo na base para uma estratégia coesa de novos investimentos, contactos, parcerias. Reuni, por isso, com dezenas de dignitários e representantes de empresas, portuguesas e nipónicas. A internacionalização da nossa economia e a captura de investimento estrangeiro são duas faces da moeda que é a promoção da economia nacional. Quero, de resto, aqui destacar a enorme coragem dos nossos compatriotas que voam milhares de quilómetros até ao “outro lado” para fazerem valer as suas empresas, as suas tecnologias e, assim, o seu país junto do mercado japonês. São eles e elas, igualmente, verdadeiros embaixadores deste Portugal moderno e competitivo.
Para a prossecução dos interesses nacionais, sejam políticos, económicos ou culturais, importa uma sede digna desse nome, onde possamos trabalhar, desenvolver a nossa estratégia e, antes de tudo, servir a nossa Comunidade. Por essas razões, procurei por todos os meios a “mudança de casa” – graças a um excelente trabalho de equipa, aqui e no MNE, conseguimos ontem, dia 2 de março, em menos de um ano, inaugurar as novas instalações, com uma obra do VHILS que marcará indelevelmente o ano de 2023 e os 480 anos de história com o Japão.
Muito trabalho resta fazer, e esta mudança é apenas o primeiro passo para o lograr. Os laços históricos são sólidos, mas é preciso perseverar na densificação do relacionamento, sobretudo a nível económico. Antes, como agora, é na inovação e na troca de experiências que se constituirá a relação entre os dois países.
Porque entendo que os diplomatas devem prestar contas públicas do seu trabalho nos lugares próprios, mas também na imprensa e redes sociais – até para desfazer alguns mitos, pouco abonatórios, que ainda imperam na cabeça de alguns, de que só assistimos a receções, comemos croquetes e bebemos champagne nos melhores lugares do planeta -, e para humildemente relatar algumas das ideias que aqui singram, continuarei a dar-vos conta das nossas atividades no Japão.


