Opinião: Um certo jeito de fazer…
Nas últimas semanas, falou-se demasiado da TAP: da sua privatização em 2015, da sua des-privatização de 2017 e da nova reprivatização a ocorrer provavelmente em 2023. Apesar de o tema ser relevante, o País gastou tempo a mais com episódios pitorescos mas de pouco interesse substantivo para a economia nacional. A verdade, porém, é que algumas das historietas e anedotas revelaram uma inaceitável leveza com que alguns governantes socialistas tutelaram a empresa. A forma pouco cuidada de tratar o dinheiro dos contribuintes acaba por ser o que emerge das muitas audições feitas: estamos mal, quando a única solução para resolver problemas é atirar-lhes com dinheiro dos que pagam impostos!
O Estado tem responsabilidades de que não pode demitir-se numa economia social inspirada pelo mercado, como a nossa. Só pode cumprir a tarefa, independentemente das opções ideológicas particulares de cada Governo, se ao leme da decisão pública estiverem pessoas bem preparadas e capazes de respeitar o esforço titânico que as famílias fazem quando entregam os seus recursos ao Estado. Nem sempre foi isso que o Inquérito à TAP deixou à vista de todos…
Quando, na praça pública, se fala demasiado de uma questão há outras que acabam quase esquecidas pela comunicação social e pela opinião pública. Um desses temas escondidos pelo excesso de TAP foi o anúncio recente da operação de privatização da EFACEC, com contornos ainda obscuros. Quando o governo socialista nacionalizou a EFACEC, em 2020, o negócio foi apresentado como a única forma de permitir que, no meio da pandemia, esta empresa de referência na tecnologia portuguesa pudesse manter o acesso aos mercados financeiros. O plano era reprivatizá-la logo a seguir, escolhendo parceiros adequados ao negócio. Afinal, passaram quase 3 anos, o Estado já lá meteu 250 milhões de Euros dos nossos impostos e prepara-se agora para a vender a um fundo alemão especialista em reestruturações, tudo desenvolvido sob um opaco manto de silêncio, como se o segredo também fosse a alma dos negócios em que o Estado intervém… Não se sabe nem quanto vai o Estado receber, nem quem vai fiscalizar o Plano estratégico, nem quem vai financiar, nem qual o plano de negócio, nem que garantias há para manter a capacidade inovadora da empresa em Portugal, etc. Nada!
A EFACEC é uma grande empresa portuguesa e não pode ser tratada desta maneira. Mais uma vez, não é a atirar dinheiro dos contribuintes para cima de um problema que ele se resolve! Quando se escrever a História, este “jeito de fazer” será, provavelmente, a marca de água das governações socialistas.
A minha semana parlamentar foi dedicada às últimas audições da Comissão de Inquérito da TAP, na qual foram ouvidos o ex-secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Mendes, o Ex-Ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, e o atual Ministro das Finanças, Fernando Medina. A maior curiosidade política reservada para estas últimas audições era avaliar a correlação de forças do Partido Socialista na definição do sucessor de António Costa: dos dois óbvios candidatos que se apresentaram perante a Comissão de Inquérito, Pedro Nuno mostrou-se mais preparado, mais empático e mais capaz de disfarçar as suas insuficiências. Medina, o outro putativo candidato, foi mais defensivo e mostrou menos carisma… a ver vamos como tudo evoluirá nos próximos tempos!


