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Opinião: Um Governo poucochinho

01 de às 12h08
1 comentário(s)

De dia para dia a inflação agrava-se… Em maio deste ano, o Governo desvalorizou o que estava a acontecer, tentando convencer-nos de que a subida dos preços era conjuntural e transitória. Estava enganado!
A inflação aproxima-se agora dos 10% ao ano e a subida já não é apenas um fenómeno estatístico: ela atordoa todos os portugueses que fazem compras e que pagam contas, obrigando a uma ginástica e a uma imaginação nas compras cada vez maiores, com o dinheiro a acabar cada vez mais cedo, cada mês. A imagem de latas de sardinha com alarme nos supermercados, que ilustrava a capa do Expresso deste fim-de-semana, capturou de forma muito eloquente o que se está a passar, com as dificuldades a serem tantas que até o roubo de comida está a disparar…
Perante estas dificuldades, o que propõe o Governo para a grande tempestade económica em que estamos metidos?
Como bem sabem os marinheiros, quando um navio enfrenta uma tormenta, a resposta tem de ser dupla: por um lado, é preciso tomar decisões imediatas e de curto prazo, por difíceis que sejam, para o navio não ir ao fundo. Por outro lado, no entanto, a emergência não nos pode fazer perder a linha de rumo nem esquecer os objetivos de longo prazo que nos meteram no barco.
No curto prazo, o Governo opta, neste orçamento, por ficar muito aquém do que era possível nas medidas de apoio às famílias, preferindo aproveitar a folga orçamental que a inflação gerou para, a correr, fazer o que não teve coragem para fazer na conjuntura favorável dos últimos anos: reduzir dívida. Agora que os portugueses mais precisavam, o Estado está limitado na sua ação por causa da inação dos últimos sete anos…
No que respeita ao horizonte de médio e longo prazo, por outro lado, o que está neste orçamento também é demasiado pouco: as políticas de crescimento económico têm de melhorar a produtividade, que é muito baixa, em Portugal: sem produtividade não é possível sustentar melhores salários, por muitos malabarismos que tentemos. E para aumentar a produtividade do trabalho é preciso investimento (privado e público)!
Neste tempo de tempestade, portanto, um orçamento que pretendesse salvaguardar o horizonte de longo prazo para a nossa economia tinha de fazer uma aposta consistente no aumento da produtividade e do investimento.
E o que vemos neste OGE 2023, perante a prática dos últimos governos socialistas?
Investimento público é o que se tem visto… Sete anos de anúncios, de obras inscritas, de tantas intenções… Concretizações é que tem sido difícil…
No que respeita ao investimento privado, este OGE também não tem boas notícias. A subida dos juros está a fazer disparar o custo do endividamento das empresas e estas investem tanto mais quanto maior confiança tiverem no futuro da economia. Quanto mais percebem a divergência entre o discurso e a realidade, aliás, mais difícil se torna continuar a fazê-las acreditar em ilusões.
As excelentes qualidades de ilusionismo do Governo podem enganar alguns durante algum tempo. Não conseguem é enganar todos, todo o tempo.

A minha atividade na semana passada
Da minha semana parlamentar destaco a ocasião que as Jornadas Parlamentares do PSD proporcionaram aos deputados para ouvirem alguns especialistas externos sobre o que se está na economia portuguesa.

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1 Comentário

  1. Poortugues diz:

    Sinceramente não percebo. Quem é de um partido que esteve no Governo e fez o que fez, cortando a torto e a direito quando a conjuntura era bem menos complexa do que agora…. como pode agora vir pedir apoios para as famílias? Bem prega Frei Tomás…

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